Cidades

Pescadores de Eldorado do Sul relatam queda de 80% na atividade devido à estiagem

Areeiros da Região Metropolitana também se dizem preocupados com o nível do rio mais baixo

Estiagem muda hábitos de pescadores e banhistas nos Rios Jacuí e Sinos na região metropolitana de Porto Alegre.
Bairro Picada em Eldorado do Sul.
Pescador Giovani Carvalho Medeiros
Estiagem muda hábitos de pescadores e banhistas nos Rios Jacuí e Sinos na região metropolitana de Porto Alegre. Bairro Picada em Eldorado do Sul. Pescador Giovani Carvalho Medeiros Foto : Ricardo Giusti

A crise hídrica tem causado prejuízos na pesca na foz do rio Jacuí, no bairro Picada, em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana. A chuva dos últimos dias até elevou levemente os níveis do curso d’água que deságua no Guaíba, porém trouxe algo incomum: a água transparente e com aparência de limpa, o que é ruim para os pescadores locais. “A pescaria está horrível”, resume o profissional Gilmar Leal dos Santos, que trafegava com um pequeno barco pelo leito abaixo da ponte da BR 290.

“Antes, tu saía de manhã cedo e pegava umas duas, três caixas do pintado, agora quando pega cinco unidades é muito”, acrescentou. Alguns pescadores ainda não receberam o seguro-defeso, referente ao último mês de dezembro, mesmo com o final da piracema. Seu colega de função, Giovani Carvalho Medeiros, afirma que a queda foi de cerca de 80% em relação ao ano passado. Ali, diversos pescadores têm seu local de parada, onde descascam os peixes obtidos do rio, e que são, geralmente, comercializados no Centro Histórico de Porto Alegre.

Outros restos dos pescados são atirados de volta ao Jacuí, onde são aproveitados por filhotes de pintados e piavas, que se aproximam às centenas das carcaças dos falecidos. Depois de seis ou sete meses, eles estão ideais para serem retirados do rio e consumidos. Junto ao Jacuí, estava também o diretor do Sindicato dos Depósitos, Distribuidores e Comerciantes de Areia do Estado do RS (Sindareia RS), o técnico em mineração Ricardo Schumacher. Segundo ele, o segmento também é afetado pela estiagem.

“Nesta semana, fomos em um evento no Litoral Norte em que falamos muito sobre a questão dos prejuízos à navegação com o nível mais baixo e a falta de liberação. Os navios não conseguem chegar para atracar em razão disto, e a mineração não é autorizada. Acreditamos haver um potencial econômico muito grande, ao lado de Porto Alegre, que baixaria o custo para a construção civil em geral e para o consumidor final”, salientou ele.

O Jacuí, em Porto Mariante, no município de Venâncio Aires, está em 1,23 metro na manhã desta sexta-feira, abaixo de 1,45 metro visto na madrugada, segundo a medição do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM). É a régua fluviométrica deste rio mais próxima da Capital que está funcionando. Já no Guaíba, na régua da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, a medição na manhã desta sexta é de 1,46 metro, também abaixo dos 1,65 metro visto horas antes.