Cidades

Piscinas de caixas d’água fazem a alegria de crianças diante do calorão em rua de Porto Alegre

Com temperaturas perto dos 35ºC, refresco virou imperativo para pequenos moradores, mas prática é arriscada para a saúde

Miguel, de apenas dois anos, foi um dos que aproveitou para se divertir na água
Miguel, de apenas dois anos, foi um dos que aproveitou para se divertir na água Foto : Camila Cunha

Enquanto, na rua, os termômetros se aproximavam dos 35ºC no final da manhã desta quinta-feira, dentro de uma piscina improvisada em uma caixa d’água na rua Graciano Camozzato, na Vila Farrapos, zona Norte de Porto Alegre, o clima estava muito mais agradável. Os pequenos Anthony, 9 anos, e Arthur, 4, dois dos quatro filhos da dona de casa Janine Oliveira, se divertiam e rodopiavam no interior do recipiente, protegido do sol castigante por estacas e cobertores. Ao lado, mais uma piscina plástica estava sendo enchida, para a brincadeira da filha mais nova, de somente um ano.

É um ritual que Janine diz fazer ao menos duas vezes por dia, de manhã e à tarde. O conjunto foi posicionado em um canto da rua, perto dos veículos que passavam pela via pacata. “Se deixar, eles ficam o dia todo, só saem para comer. Abaixa a comida e depois entram de novo. Entram umas 9h e ficam até às 19h”, comentou a mãe. “Na verdade, todo mundo coloca. E aqui, daqui a pouco vêm os primos, os amiguinhos, e a gente fica sempre de olho”, comentou Janine.

A Graciano Camozzato, pode ser considerada a “rua das piscinas” em Porto Alegre. Mais perto da Voluntários da Pátria, mais duas caixas d’água foram improvisadas para abrigar os fugitivos do calor intenso. Cem metros adiante, no sentido oposto, mais um galão de origem desconhecida de centenas de litros foi adaptado pelos moradores. Mas essa água, disseram os moradores, nem sempre é trocada com frequência, embora haja uma válvula no fundo que permita a saída dela.

Miguel, de somente dois anos, é um dos frequentadores assíduos dela, sob os olhos da mãe, a auxiliar de departamento pessoal Greice Kelly Borges da Rosa. Diferente da primeira, esta piscina adaptada foi posta mais para o lado da calçada, perto de um beco lateral que é a entrada desta comunidade. “Na enchente, tinha um bem maior. Esse aqui foi dado por um dos vizinhos. A qualquer hora, alguém entra aqui e toma banho”, comentou.

“Só não vamos esvaziar agora porque tem uma obra aqui ao lado, e se for água para lá, eles não vão conseguir trabalhar”, acrescentou a auxiliar de produção Andressa Borges Machado, vizinha de Greice. A obra em questão é do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), para evitar enchentes na área.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) reforçou a importância do cuidado com a água, pois estes recipientes podem ser criadouros do mosquito Aedes aegypti, causadores da dengue, zika e chikungunya. Nesta semana, a Capital está em estado crítico de infestação deste inseto. A água é a tratada do Dmae, portanto própria para o consumo, mas há riscos também de contaminação a partir do recipiente onde ela é armazenada.

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