Basta transitar em Porto Alegre para perceber que não há mais horários de ‘pico’ e congestionamento como há alguns anos atrás e que se concentravam mais no início da manhã e no final da tarde. A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego do RS (ABRAMET/RS) fez um levantamento da frota atual de veículos da capital gaúcha e da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) e verificou que o número de veículos registra aumento considerável ano após ano.
Atualmente, Porto Alegre possui uma frota de 866.269 mil veículos, 10.927 mil a mais se comparado a 2023, quando eram 855.342 mil veículos pelas ruas. No entanto, os 14 municípios que fazem parte da Região Metropolitana, também contribuem com uma quantidade expressiva de veículos que impactam diretamente no trânsito da capital e região metropolitana. No total, considerando Porto Alegre e RMPA, somam juntas mais de 1,4 milhão de veículos. No ranking das cidades vizinhas estão:
- Canoas, com 223.904 mil veículos
- Novo Hamburgo, com 173.849 mil veículos
- Gravataí, com 174.010 mil veículos
- Viamão, com 143.232 mil veículos
- São Leopoldo, com 140.374 mil veículos.
Na análise do presidente da ABRAMET/RS, Ricardo Hegele, esse aumento na quantidade de veículos trafegando sobrecarrega a infraestrutura viária da cidade e da Região Metropolitana que não foi dimensionada e não está preparada para absorver o impacto da quantidade crescente de veículos circulando nas ruas. “Existe um aporte diário e crescente nas vias urbanas de Porto Alegre por conta dos veículos oriundos das cidades de Viamão e Alvorada, “esse movimento pendular de deslocamento entre uma cidade e outra aumenta muito o número de veículos utilizando ruas e avenidas que não foram dimensionadas para esse volume”, explica ele.
Sinaleiras e Pontos de Controle em Porto Alegre
A ABRAMET/RS também verificou junto à EPTC o número de sinaleiras na cidade. Porto Alegre tem em torno de 1.430 locais semaforizados, com 11.072 equipamentos, os quais são gerenciados por cerca de 900 controladores de programação semafórica. “Embora os controladores trabalham para otimizar o tempo de espera e melhorar o fluxo, a quantidade de veículos ainda sobrecarrega o sistema, resultando em congestionamentos mesmo fora dos horários tradicionais de pico e o ideal seria que todos os semáforos pudessem ser ‘inteligentes’ adequando o tempo do sinal de acordo com o fluxo de veículos”, explica Hegele.
O Desafio do Trânsito Contínuo e o Impacto na Qualidade de Vida
Na avaliação da ABRAMET/RS, além de dificultar a mobilidade urbana, os engarrafamentos contínuos podem afetar a qualidade de vida da população, aumentando o nível de estresse, ansiedade, além do cansaço e da fadiga, que também comprometem a segurança de todos no trânsito. “Moradores e trabalhadores de Porto Alegre e cidades vizinhas enfrentam cada vez mais dificuldades para cumprir seus horários, o que demonstra a necessidade de soluções que vão além do controle semafórico, pois todos estes fatores trazem impacto para a saúde pública em geral”, diz Hegele.
Soluções e Alternativas Possíveis
Adotar soluções sustentáveis e inovadoras será fundamental para garantir a mobilidade urbana e melhorar a qualidade de vida na região. Diante dessa situação, alguns especialistas sugerem medidas que vão desde o aumento da capacidade do transporte coletivo e a criação de vias exclusivas para ônibus e bicicletas até o incentivo ao uso de alternativas como caronas solidárias. A integração de tecnologias avançadas, como sistemas de controle de tráfego adaptativo, também pode ser uma alternativa para melhorar a fluidez.