Sobram barro, lixo de todos os tipos e, ainda, água pelas ruas de Porto Alegre. Assim como em todas as áreas atingidas pela cheia histórica, o bairro Navegantes é reduto desolador dos dias que a enchente ultrapassou todos os limites geográficos e psicológicos até então vistos.
Os últimos dias com tempo firme e o sol prometido pela meteorologia para o fim de semana permitem a limpeza e avaliação das perdas em locais onde finalmente a água se foi. É o caso das ruas Dona Margarida com Santos Pedroso. A área predominantemente comercial e industrial voltou a ser ocupada, e muitos dos empresários já trabalham para tentar reabrir as portas.
Na quadra, a enchente atingiu 1,5 metro, levando prejuízo a um restaurante, uma fábrica de sorvetes, uma gráfica e uma empresa de nobreaks industriais e corporativos. “Perdemos cargas de baterias, componentes, placas, móveis e equipamentos. Não deu para calcular ainda, mas é um prejuízo na casa de R$ 1 milhão”, estima o empresario do Rodrigo Graziadei, proprietário.
Em parte da Dona Margarida, a água ainda permanece acumulada. Um destes pontos é a frente da fábrica de sorvetes, onde a limpeza vai demorar mais tempo para ocorrer. No pátio, diante das portas fechadas, permanece um caminhão coberto pela lama. As marcas da enchente alcançaram o para brisa.
No vizinho quase que imediato, há uma pilha de mais de dois metros de altura. O enorme volume consiste em uma massa mal cheirosa de papel dissolvido que um dia foram páginas de revistas.
“A partir de agora, todo dia é segunda-feira”, declarou um funcionário do local, que não se identificou. A fala é uma referência ao trabalho necessário para voltar à uma rotina aceitável, e também aos dias de tempo firme que se apresentam, indispensáveis para que todos os atingidos projetem os próximos passos.