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Porto Alegre: quatro meses após revitalização, trechos do Quadrilátero Central ainda precisam de ajustes

Ao total, as 11 frentes de trabalho foram finalizadas em março, mas danos ainda são perceptíveis em diferentes pontos

É possível enxergar buracos sem sinalização, pedras de calçamento soltas e tampas de bueiro em situação precária, provocando desníveis na passarela
É possível enxergar buracos sem sinalização, pedras de calçamento soltas e tampas de bueiro em situação precária, provocando desníveis na passarela Foto : Camila Cunha

Com obras concluídas em março deste ano, depois de quase quatro anos do início das intervenções, ainda necessitam de ajustes diversos trechos do Quadrilátero Central, no Centro Histórico de Porto Alegre. Foram encontrados, em diferentes pontos, buracos sem sinalização, pedras de calçamento soltas e tampas de bueiro em situação precária, provocando desníveis na passarela e trazendo riscos aos pedestres que transitam nas ruas diariamente.

As intervenções, executadas pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), envolveram 16 mil metros quadrados de calçadas e 2,5 quilômetros de vias, percorrendo as avenidas Otávio Rocha e Borges de Medeiros e nas ruas General Vitorino, Voluntários da Pátria, Marechal Floriano Peixoto, Vigário José Inácio, Doutor Flores, Andradas e Uruguai. Ao todo, foram 11 frentes de trabalho. Iniciadas em junho de 2022, as obras tiveram o cronograma impactado pela enchente de 2024 e por problemas em estruturas subterrâneas.

Os problemas são encontrados em espaços de circulação de pedestres ou estacionamento de veículos. Ao passar pela esquina das ruas Marechal Floriano Peixoto e General Vitorino, é possível enxergar pedras de calçamento soltas, que deixam grandes buracos. O problema se estende ao longo da General Vitorino, e também na rua Doutor Flores.

Já na esquina da rua Doutor Flores com a General Vitorino, em frente a uma loja de produtos hospitalares, um poste de iluminação pública foi retirado, e o local em que ele deveria estar posicionado segue sem o calçamento à espera da estrutura, que fazia parte das intervenções do Quadrilátero. Em março, o Correio do Povo já havia registrado o problema, que ainda não foi resolvido.

"Com o buraco, acaba furando pneu de carro e caminhão, a gente ouve cada estouro", disse uma das funcionárias da loja, que não quis se identificar. Pelo menos neste ano, ela relata ter visto mais de 10 ocorrências com pneus de veículos. "Vieram e deixaram assim, não arrumaram mais. Às vezes eu boto o tijolinho para tapar para ninguém se machucar. Mas quando vêm, eles tiram. Eu já desisti", complementou. Os outros funcionários da loja relataram que, à noite, o local fica completamente escuro por conta da falta de iluminação.

Há também outros buracos em pontos da avenida Borges de Medeiros, e blocos de concreto soltos ao longo da rua dos Andradas, próximo à esquina democrática. "As pessoas mais idosas podem tropeçar e cair", disse Lari Gomes, de 67 anos, que circulava nas proximidades. No entanto, ele avalia a revitalização no geral como positiva. Na Borges, o piso podotátil também apresenta falhas no cruzamento com a rua dos Andradas.

Questionada se a situação dos pontos se terão ajustes ou intervenções, a Secretaria de Obras e Infraestrutura informou que, em relação ao piso podotátil na Borges, a pasta acionou a empresa responsável pela execução dos serviços para efetuar o reparo, pois ainda há previsão da garantia. O novo piso deverá ser reposto nos próximos dias. Já em relação à situação dos outros pontos citados, a pasta informou que a responsabilidade dos reparos é da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), que realiza a conservação das vias e calçadas, e do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), que realiza a drenagem.

A SMSUrb informou que irá programar os reparos nos pontos indicados, localizados nos cruzamentos das ruas Dr. Flores com General Vitorino, General Vitorino com Marechal Floriano Peixoto e Andradas com Marechal Floriano Peixoto. Já as equipes do Dmae farão, nos próximos dias, uma vistoria na rua Dr. Flores para avaliar as condições da rede de drenagem pluvial e encaminhar as correções necessárias.

No total, a obra do Quadrilátero custou R$ 19,8 milhões. O Consórcio RGS/AGR/Elmo - Novo Centro foi o responsável pela execução dos serviços. Segundo a prefeitura, consistiu em substituir pavimento da via; iluminação, redes de água, esgoto e drenagem; alargar e reformar calçadas; instalar acessibilidade universal, mapas táteis e sinalização. Também foram implantados mobiliário urbano (com floreiras, bancos e bicicletários) e infraestrutura de videomonitoramento.

O Dmae substituiu 3,8 quilômetros de redes assentadas de abastecimento de água. As vias receberam material em polietileno de alta densidade (Pead), em substituição às tubulações de ferro fundido. Somente nessa etapa foram investidos R$ 2,8 milhões, beneficiando 25 mil moradores do Centro Histórico.

A última fase esteve concentrada no trecho entre a rua dos Andradas e a Praça da Alfândega, conhecido por Largo dos Medeiros. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a revitalização do espaço manteve todas as características originais, como a restauração das pedras portuguesas.

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