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Porto Alegre: responsabilização individual por calçadas dificulta manutenção, avalia especialista

Prefeitura notificou mais de 160 pontos para regularização de faixas de passeio somente no ano passado

Passeio no entorno de praças apresentam irregularidade e interrupção de piso táctil
Passeio no entorno de praças apresentam irregularidade e interrupção de piso táctil Foto : Alina Souza

Somente em 2025, a Secretaria Municipal de Segurança de Porto Alegre notificou 164 pontos para regularização de calçadas com problemas. A Diretoria-Geral de Fiscalização, que é vinculada ao órgão, realizou mais de 1.745 ações de fiscalização em todo o ano passado e, como resultado, foram lavrados quatro autos de infração, aplicando penalidades a responsáveis que descumprem prazos, reincidem nas irregularidades ou apresentam situações de maior risco à população.

De acordo com o Manual de Calçadas de Porto Alegre, definido pelo Decreto nº 17,302/2011, a manutenção e adequação dos passeios são de atribuição do proprietário do imóvel em que a calçada está inserida. Isso inclui a faixa acessível, faixa de acesso e serviço, faixa para elemento de urbanização e meio-fio. Ou seja, cada proprietário deve ser responsabilizar pelo trecho do passeio que perpassa seu imóvel.

Na avaliação de Marcelo Arioli Heck, especialista em urbanismo, a responsabilização individual é a questão central no debate sobre a qualidade das faixas de passeio. Ele entende que as estruturas funcionam como vias de transporte para pessoas e que, portanto, deveriam ser de responsabilidade da gestão pública “Isso gera uma série de prejuízos, especialmente em terrenos baldios. No entanto, a calçada deve ser tratada como infraestrutura urbana contínua e em rede, e não como um fragmento isolado sob responsabilidade individual. A calçada é o elemento básico da rede de transporte; sem uma gestão pública presente, a acessibilidade torna-se impossível”, argumenta o urbanista.

Ao andar pelas ruas da Capital não é raro se deparar com lajotas soltas, desníveis perigosos, obstrução da passagem por mobiliário além de buracos e a ausência de estruturas acessíveis (como rampas). A diretora-geral de Fiscalização de Porto Alegre, Lorecinda Abraão considera a manutenção destes espaços como “um ato de cidadania e respeito com os demais moradores”, citando principalmente a segurança de pessoas idosas, com deficiência e crianças e destaca o caráter educativo das ações de fiscalização, reiterando a responsabilidade de cada proprietário.

O órgão informou que as fiscalizações seguem neste ano a partir de denúncias registradas pela população, mas também por rotas planejadas pela equipe técnica. Já a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, que é responsável pela manutenção e conservação dos passeios exclusivamente em espaços públicos, informou que acompanha o tema e está realizando ações de requalificação em diferentes pontos da cidade.

“É claro que a cidade é grande e o recurso é limitado, mas temos atendido as demandas à medida do possível. Nós temos também um cronograma de atenção em que elencamos prioridades. A região central, como um todo, após o alagamento, sofreu um grande problema na base dos calçamentos. Sabemos destes investimentos, estamos realizando um projeto e vamos, agora, trabalhar na busca de recursos”, afirma o secretário, Rafael Fleck salientando que o órgão realiza buscas ativas para garantir a manutenção adequada dos pontos de responsabilidade da secretaria.

O manual dispõe sobre a padronização e adequação dos trechos de passeio em conformidade com as normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), bem como o tipo de materiais adequados e elementos de acessibilidade. Apesar das secretarias reiterarem que a adesão e conservação desses elementos é de responsabilidade do proprietário do lote em que o trecho está inserido, há trechos de competência pública em condições inadequadas.

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