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Porto Alegre terá linha exclusiva de fornecimento de energia para operação de sistemas do Dmae

Contrato assinado entre a prefeitura e a CEEE Equatorial prevê dupla alimentação de energia para operação ininterrupta em caso de temporais

Assinatura de contrato que prevê a implantação de uma linha exclusiva de fornecimento de energia para operação do DMAE
Assinatura de contrato que prevê a implantação de uma linha exclusiva de fornecimento de energia para operação do DMAE Foto : Pedro Piegas

A prefeitura de Porto Alegre e a CEEE Equatorial assinaram, nesta quinta-feira, um contrato que prevê a implantação de uma linha exclusiva de fornecimento de energia para a operação do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), com dupla alimentação, para garantir a operação ininterrupta dos sistemas de drenagem, abastecimento de água e esgotamento sanitário. O principal objetivo é garantir o funcionamento dos serviços de saneamento, durante episódios de temporais ou alagamentos, e irá atender às 37 principais estações compostas pelo sistema.

As obras, que devem ter ordem de início nos próximos dias, terão investimento de R$ 18 milhões, e serão executadas pela CEEE Equatorial em até um ano. No novo modelo, a energia das estações será fornecida por duas fontes diferentes, o que permitirá acionamento automático caso haja problema em um dos alimentadores de energia.

Estão previstos 41 quilômetros de rede dedicados ao Dmae para as ETAs, EBATs, EBABs, EBAPs, EBEs e o Centro de Controle Operacional (CCO). Das EBAPs, 22 das 23 estão contempladas no projeto (confira a lista completa abaixo). A única EBAP não contemplada é a Trincheira da Ceará, com a justificativa de ter um tamanho menor, ter gerador suficiente para atender a todas as bombas e ter registrado poucas ocorrências por falta de energia.

Serão 68 religadores que poderão ser manobrados por meio do Centro de Controle Operacional. O acionamento automático permite programar o sistema e identificar automaticamente a falha de um alimentador.

"As casas de bombas são alimentadas pelas mesmas regiões das linhas que hoje atende o povo em geral. Quando fala de uma dupla alimentação, vai chegar uma rede só para essas casas de bombas. Isso vai dar segurança para, quando a chuva cair em algum lugar, a casa de bombas não deixar de funcionar, porque mesmo que tenha geradores, a capacidade é sempre a metade ou menos com os geradores", afirmou o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo.

Questionado sobre os motivos das obras não terem começado antes, o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, defendeu que o projeto exigiu planejamento técnico e financeiro para sua segurança. "A gente vem, no mínimo, há 12 meses em trâmites de orçamentação e tecnicidade propriamente dito. É um projeto muito inovador do ponto de vista técnico. Fazer uma inelegibilidade, mesmo sendo uma empresa pública, demanda muitas certificações e segurança jurídica, que a gente preza dentro do Dmae, prefeitura e CEEE Equatorial. A gente conseguiu contemplar isso por ser oriundo da calamidade e de resiliência urbana e climática", explicou.

Perrone reforça que o sistema atual não teria gerador de energia para suprir todas as demandas. "Não adianta a gente fazer uma casa de bomba completamente nova, se tem redundância energética para um ou dois motores em uma casa de bomba onde tem 10 motores. Isso nos permite fazer os investimentos para a vida real", argumenta. Completou, ainda, que a autarquia tem em torno de R$ 3 bilhões contratados para planejamento e execução de investimentos voltados à melhoria do sistema de drenagem, e que esses R$ 18 milhões irão destravar os demais projetos.

As obras devem começar em torno de 30 dias, mas que, à medida que as redes forem ficando prontas, já poderão entrar em condições de uso, afirmou o diretor-presidente da CEEE Equatorial, Riberto Barbarena. Ele reconheceu que o novo modelo pode estar sujeito a problemas imprevistos, mas ressaltou a sua evolução em termos de inovação e tecnologia aplicada.

“Zeramos as possibilidades de ocorrência? Não, nós sabemos disso, não zera porque a gente está sujeita a uma situação", disse, exemplificando a situação do apagão que aconteceu no Paraná em 14 de outubro, o que ocasionaria falta de energia nas duas fontes. "Mas a possibilidade disso é muito remota. A gente muda a exposição de uma falta de energia nessas estações do Dmae de forma agressiva para melhor", completou.

Veja Também

Confira, abaixo, todos os sistemas que serão atendidos com a dupla alimentação de energia:

Estações de drenagem urbana

  • Estações de Bombeamento de Águas Pluviais

Ebap 1 - Centro Histórico (Rodoviária)

Ebap 2 - Floresta / 4º Distrito

Ebap 3 - Floresta / 4º Distrito

Ebap 4 - 4º Distrito

Ebap 5 - Humaitá / 4º Distrito

Ebap 6 - Anchieta

Ebap 7 - Santa Maria Gorei

Ebap 8 - Vila Farrapos / 4º Distrito

Ebap 9 - Sarandi

Ebap 10 - Sarandi

Ebaps 11A e 11B - Cristal (Hipódromo)

Ebap 12 - Praia de Belas

Ebap 13 - Menino Deus

Ebap 14 - Azenha

Ebap 15 - Azenha / Menino Deus

Ebap 16 - Menino Deus / Cid. Baixa

Ebap 17 - Centro Histórico

Ebap 18 - Centro Histórico

Ebap 19 - Vila Planetário

Ebap 20 - Sarandi

Ebap 21 - Sarandi

Estações de captação e tratamento de água

  • Estações de Bombeamento de Água Bruta (Ebabs)

Moinhos de Vento

São João

Menino Deus

Tristeza

Belém Novo

  • Estações de Tratamento de Água (ETAs)

Moinhos de Vento

São João

Menino Deus

Tristeza

Belém Novo

  • Estações de Bombeamento de Água Tratada (Ebats)

São Manoel

Estações de esgotamento sanitário

  • Estações de Bombeamento de Esgoto (EBEs)

Baronesa do Gravataí

Cristal (C2)

Ponta da Cadeia

  • Centro de Controle Operacional (CCO)