O Rio Gravataí segue em recuo na manhã deste sábado, mas o nível da água pode voltar a subir com as chuvas previstas nos próximos dias. Em Alvorada, a prefeitura orienta moradores de áreas críticas a buscarem acolhimento em abrigos ou junto a familiares. Todavia, boa parte da população do bairro Americana, que é o ponto mais atingido da cidade, desconsidera a recomendação e permanece determinada a não sair de casa.
São diversas as vias que seguem com alagamentos no bairro, como no caso das ruas Marques de Pombal, Anita Garibaldi, André Rocha e Doze de Maio.
A parte não asfaltada da avenida Beira-Rio havia se transformou em lamaçal e oferece riscos de deixar carros enguiçados. A via ainda é costeada pelo Arroio Feijó, que está em nível alto, mas, até o momento desta publicação, não havia transbordado.
Outro problema no bairro Americana tem sido o odor do esgoto, que extravasa e se mistura ao Rio Gravataí, o que acaba por infestar a atmosfera do lugar. O extravasamento arrasta musgo, lodo, algas e lixo para dentro de pátios e casas, sendo que o maior risco é a proliferação de doenças.
Na medida em que o perímetro do bairro se aproxima do Rio Gravataí, alguns moradores utilizam balsas como meio de locomoção. O transporte serve principalmente para distribuir mantimentos na vizinhança.
Mesmo em situação precária, Luís Laurentino, 52 anos, é um dos moradores que decidiu permanecer em casa. Nascido no bairro Americana, ele expressou incredulidade quanto às previsões de chuva e o risco de novas inundações.
"Não acredito que o cenário piorará. Pode até haver mais chuva, no entanto, penso que isso não vai influenciar a situação de forma tão drástico. Seja como for, a maior parte das pessoas não quer ir para outro lugar. Os moradores amam o bairro Americana, porque é uma região tranquila, sem violência nem tráfico de drogas. Sim, nós sofremos bastante com inundações, mas somos uma vizinhança unida e ajudamos uns aos outros”, destacou o morador.
Prefeitura orienta saída de áreas vulneráveis
A prefeitura de Alvorada intensificou a mobilização das equipes e renovou o pedido para que moradores de áreas vulneráveis deixem suas casas, de forma preventiva. De acordo com a administração municipal, o maior risco são as águas vindas de outros municípios e que podem aumentar o nível do Rio do Gravataí e do Arroio Feijó.
O prefeito Douglas Martello reforça que a gestão está preparada para atuar com agilidade e estratégia diante de alguma emergência. “Nosso foco é salvar vidas, acolher quem mais precisa e agir com responsabilidade diante dessa situação. Enquanto houver um alvoradense fora de casa, a prefeitura seguirá firme, presente e cuidando das pessoas”, reforçou.
O coordenador da Defesa Civil, tenente-coronel Márcio Leandro, enfatizou o trabalho conjunto entre os órgãos municipais. “A Defesa Civil está em alerta permanente e pronta para agir a qualquer momento. Nosso planejamento segue o Plano de Contingência, com equipes mobilizadas e estruturas de acolhimento preparadas.”
Equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) seguem realizando buscas ativas nas comunidades mais afetadas, com o objetivo de orientar moradores, esclarecer dúvidas e garantir apoio para uma saída segura e organizada.
Além disso, o abrigo temporário montado no Ginásio Municipal Tancredo Neves está à disposição para receber os mais necessitados. O espaço conta com estrutura completa para até 60 pessoas, incluindo camas, cobertores, alimentação, atendimento em saúde, apoio psicossocial e segurança garantida pela Guarda Municipal.
Até o momento, 21 famílias foram auxiliadas a deixar suas residências de forma preventiva, sendo realocadas para casas de amigos ou familiares. Outras quatro, estão acolhidas no ginásio.