Cidades

Poste em local errado perturba moradores há mais de 30 anos no bairro Ponta Grossa, em Porto Alegre

Prefeitura diz que rua não atende aos requisitos do Plano Diretor, enquanto CEEE Equatorial afirma que estrutura está “adequada tecnicamente”

Na rua Campesina, no bairro Ponta Grossa, um poste antigo entorta aos poucos, estica fiação de outros postes e preocupa moradores
Na rua Campesina, no bairro Ponta Grossa, um poste antigo entorta aos poucos, estica fiação de outros postes e preocupa moradores Foto : Camila Cunha

Há mais de 30 anos, um poste oco de madeira no meio da rua Campesina perturba moradores do bairro Ponta Grossa, na zona Sul de Porto Alegre. Protocolos já foram abertos junto à CEEE Equatorial, porém a situação não é resolvida. Os moradores afirmam ainda que a estrutura, além de esticar as fiações dos postes individuais das residências, também atrapalha a manobra de veículos grandes, a exemplo de caminhões.

“Às vezes estou dentro de casa e ocorrem quedas de energia. Quando venho ver, é mais uma batida que aconteceu. É horrível para os veículos manobrarem”, conta o aposentado Jorge dos Santos, morador da área há mais de cinco décadas. Conforme ele, os engenheiros, na época da colocação, haviam alegado que o poste era provisório, e que, na atualidade, ele pende para um dos lados devido aos constantes acidentes.

O vizinho de Jorge, o também aposentado Adilson Cunha da Silva, cuja casa fica em frente ao poste com problemas, confirma os relatos e acrescenta que os problemas também ocorrem no estacionamento dos moradores. “Queríamos melhorar a frente de nossa casa, porém este poste existe aqui. Se não existisse, conseguiríamos”, observou. Um detalhe é que, nesta via, todas as demais estruturas estão no outro lado da rua, com exceção deste. “O ideal seria que ficasse ali”, comenta Jorge, apontando para um terreno baldio em frente, onde não existe calçada.

Na quarta-feira, técnicos da CEEE Equatorial estiveram na rua e procederam com outra obra, colocando uma escora em outro poste de madeira próximo, enquanto os demais são de concreto. Chama a atenção ainda que os próprios moradores providenciaram a colocação de britas na rua, a fim de evitar o barro persistente, contando que investiram cerca de R$ 2 mil dos próprios bolsos.

O que dizem Prefeitura e CEEE Equatorial

Procurada, a CEEE Equatorial orientou primeiramente o contato com a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), que, por sua vez, afirmou não ser responsável pela situação, mas sim a pasta de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus). A Smamus disse que a rua Campesina “não atende aos padrões do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental”, e que a via apresentava oito metros de um muro a outro. Disse ainda que o espaço foi “loteado irregularmente, sendo identificado no PDDUA como Área Especial de Interesse Social (AEIS) II”.

“Nesse caso, há dificuldades na conciliação do espaço entre pedestres, veículos e equipamentos urbanos. Caso os moradores queiram regularizar o espaço, é preciso contatar a Comissão Técnica de Análise de Regularização Fundiária”. De posse das informações, a CEEE Equatorial afirmou que “a rede de distribuição está adequada tecnicamente, visto que o arruamento e o passeio público não estão definidos”, e que o cliente havia informado incorretamente o endereço do poste. “A distribuidora reforça ser muito importante que os clientes façam contato por meio dos canais oficiais com o máximo detalhamento possível, para que as equipes possam avaliar a situação.”

O que diz o PDDUA sobre os tamanhos de rua em Porto Alegre

Segundo a Smamus, as vias devem ter, no mínimo 12,5 metros de largura, com previsão de 7 metros para leito carroçável (trânsito de veículos) e 2,75 metros de cada lado para calçada. Esse espaço é dividido entre 80 centímetros para serviços e vegetação, junto ao meio fio, 1,2 metro para a circulação de pedestres e os 75 centímetros restantes junto ao muro dos terrenos reservados, o qual é usado para amenidades/ajardinamentos, quando for o caso.