A Prefeitura de Canoas apresentou um panorama da atual situação administrativa do município, as medidas que já foram tomadas em 30 dias de governo e os resultados colhidos neste primeiro mês do ano. O prefeito Airton Souza destacou que as finanças do município são a questão fundamental. O déficit orçamentário chega a R$ 440 milhões, somados aos R$ 500 milhões em licitações abertas na gestão passada sem que houvesse fontes de recursos definida, enquanto o déficit orçamentário para 2025 é de R$ 380 milhões.
Apesar das limitações financeiras, a reorganização da gestão e a reforma administrativa resultou em economia de R$ 12 milhões. "Estamos olhando para o futuro, queremos buscar soluções e dar resultados para a população. Temos sérios problemas de mobilidade, saúde e de infraestrutura. Isso passa por uma transformação completa." O vice-prefeito Rodrigo Busato destacou que o foco da administração municipal é entregar soluções para as demandas da população com transparência.
Na área da saúde, nos primeiros dias do ano foram realizados mutirões de mamografias, espirografias e cateterismos para diminuir filas e liberar leitos. A reorganização da emergência no Hospital de Pronto-Socorro (HPSC), que funciona de forma provisoriamente dentro do prédio do Hospital Nossa Senhora das Graças, reduziu a superlotação. O HPSC passa por reformas em decorrência da enchente e a prefeitura cobra agilidade na conclusão das obras. "O contrato assinado de 120 dias não será suficiente para a conclusão da obra. Vai ser necessária uma adequação no projeto", disse o prefeito.
O principal problema encontrado pela gestão foram as dívidas, aliadas a um orçamento insuficiente para 2025, desorganização de processos e o fim de contratos. De acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda, o déficit financeiro do município é de cerca de R$ 440 milhões. São compromissos com fornecedores, despesas realizadas para enfrentamento da enchente e dívidas do Hospital Universitário. Deste montante, os débitos relacionados à resposta do município aos efeitos da enchente somam R$ 190 milhões.
"Estamos reavaliando contratos e adequando à disponibilidade orçamentária e financeira", disse o secretário municipal da Fazenda, João Portella. A meta é reduzir o déficit orçamentário para cerca de R$ 150 milhões. A prefeitura também tenta obter a liberação, junto à União, de recursos para o pagamento de licitações abertas pela gestão passada para execução de obras relacionadas ao enfrentamento das enchentes.
A Secretaria de Serviços e Zeladoria Urbana já recolheu das ruas e retirou dos ecopontos cerca de 10 mil toneladas de resíduos. A Secretaria Municipal de Obras e Reconstrução efetuou melhorias nos diques, nas casas de bombas e está trabalhando em alternativas para reduzir os alagamentos. A prefeitura tem trabalhado para garantir moradias a quem perdeu seus imóveis durante a enchente de maio. Já autorizou o início da construção de 400 novas habitações. As escolas municipais afetadas pelas enxurradas e aquelas que receberam desabrigados estão passando por reformas.
"Queremos dar resultados positivos para a população. Encontramos muitos problemas em diversas áreas, mas vamos resolver com boa gestão e responsabilidade. Nos primeiros 30 dias de governo já tivemos bons resultados, com a redução de filas para diversos exames na área da saúde, o início da construção de moradias para as pessoas afetadas pelas enchentes, a limpeza da cidade e ações para a redução do déficit que herdamos." De acordo com Airton, os próximos passos serão dar andamento para as obras de contingência no sistema de proteção contra enchentes, com recursos que serão obtidos junto ao governo federal. "Queremos avançar ainda mais no projeto de entregar 6 mil novas moradias para as famílias vítimas dos alagamentos."