Em transmissão pela internet na manhã desta terça-feira, a Prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas apresentou as alterações no mapa de locais de risco para alagamentos na cidade. Com isto, zonas mais afastadas do Canal São Gonçalo e da Lagoa dos Patos passam a ser classificadas como áreas de alerta e os moradores desses locais podem, mesmo que momentaneamente voltar para casa.
A live ocorreu após a reunião de atualização na Sala de Situação montada no 9º Batalhão de Infantaria Motorizada (9º BIMtz) . A partir dos dados compartilhados pelos meteorologistas e hidrólogos da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), foi identificado que as mudanças na orientação do vento contribuíram para um cenário momentaneamente favorável para o município. Com previsão de agravamento da situação somente para o final da semana que vem, regiões antes classificadas como risco iminente agora passam a ser identificadas como áreas de alerta.
Houve uma diminuição no nível da água, provocando uma melhora na capacidade de deságue na Lagoa dos Patos. No entanto, embora a condição meteorológica esteja favorável, é necessário manter o alerta para evitar uma situação inesperada e novos riscos.
A perspectiva é de que os ventos sigam favoráveis até quarta-feira, mas o cenário pode mudar na quinta-feira, causando um retorno gradual e lento da água para a margem esquerda da Lagoa dos Patos, que banha o Laranjal. “Reforça-se a complexidade de prever a duração deste cenário. É necessário o monitoramento diário”, enfatiza. Com isto os moradores de áreas como a Vila Farroupilha, Simões Lopes (abaixo da linha férrea), Fátima, Navegantes, Cruzeiro, Parque Uma, Umuarama, Recanto de Portugal e Vila Aassumpção podem voltar para as suas casas.
Pede-se à população que continue em alerta, pois a previsão pode ser alterada.
O retorno deve ser com cautela, dada à dinâmica do cenário nos próximos dias.
A orientação é de que moradores que fizeram a retirada de móveis evitem retornar de forma total, trazendo, no momento, somente o essencial para casa. “Tem muita água do Guaíba descendo para a Lagoa. A meteorologia nos ajuda que não tem chuva para os próximos dias, assim como o vento, que está sudoeste e empurra a água da Lagoa para a costa”, relata. Ele afirma que como o Canal São Gonçalo está cheio acaba fluindo melhor. “Hoje estamos vivendo uma diminuição no nível da água. Elas estão chegando, mas não estão prejudicando como poderiam, mas o sistema é dinâmico e as coisas podem mudar todo o dia”, pondera.
Paula lembrou que o pico do Canal até agora foi no domingo no início da noite quando bateu os 2,88m, mesmo nível alcançado na cheia de 1941 e o dique sustentou não deixando entrar água em algumas regiões, com excessão da Colônia Z3 e da Praia do Laranjal
Avaliação das Aulas
A Secretaria de Educação avaliará a situação com as equipes diretivas das escolas para definir o retorno às aulas. Novas atualizações serão divulgadas nas redes sociais da Prefeitura. Por enquanto, o retorno das aulas está marcado para o dia 20 deste mês conforme decreto assinado nesta segunda-feira.
Equipes seguem em alerta
Apesar do cenário positivo, os especialistas em meteorologia e hidrologia alertam para a necessidade de continuar em estado de atenção. De acordo com o acompanhamento da situação na Região Metropolitana, na qual o Lago Guaíba registrou marcas acima dos cinco metros nesta terça-feira, a perspectiva é que uma nova elevação dos níveis atinja, posteriormente, a região Sul do Rio Grande do Sul. Frente à possibilidade de novos momentos críticos para Pelotas e para a região como um todo, as equipes do Município, Defesa Civil e forças de segurança seguem mobilizadas monitorando em tempo real a situação climática.
“Temos que entender que este fenômeno que está atingindo o Rio Grande do Sul, não é um evento rápido. As primeiras águas do Guaíba estão descendo e ele já está de novo acima dos cinco metros. Essa água que hoje está lá na capital do Estado, chega a Pelotas de novo na semana que vem. Nós não sabemos ainda qual vai ser a direção e a intensidade dos ventos, mas, se tivermos condições desfavoráveis, possivelmente mudaremos o mapa para vermelho de novo e pediremos para as pessoas saírem de casa”, concluiu a Prefeita.