No 11º dia sem abastecimento de água, moradores da Quinta do Portal, bairro Lomba do Pinheiro, zona leste de Porto Alegre, comentaram nesta quarta-feira que aos poucos a situação começa a vislumbrar um cenário de melhora. A água já chega com um pouco mais de regularidade, velocidade e intensidade, ao mesmo tempo em que os habitantes buscam soluções por si próprios para tentar reaver o serviço de maneira mais célere. “Chegou, mas sem pressão”, disse o aposentado Cosme Ferreira Moreira, que vive na rua Diógenes Sobrosa de Sousa.
Hoje pela manhã, Melo afirmou reconhecer parte da responsabilidade pelas falhas no serviço, porém dividiu isto com fornecedores de equipamentos e a CEEE Equatorial, à qual será notificada formalmente junto ao Ministério Público do RS (MPRS), Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No começo da tarde desta quarta, o Dmae havia afirmado que o serviço estava “em normalização” na Vila dos Sargentos (bairro Agronomia) e Jardim Carvalho/Boa Vista/Colina do Prado, por recuperação de nível, Bom Jesus/Vila Jardim/Cefer II, por falta de nível, parte alta da Vila São José Comunitária e parte do bairro Lomba do Pinheiro, por manobra de sistema, além de parte do bairro Ponta Grossa por problema elétrico e mecânico na Estação de Bombeamento de Água (EBAT) Retiro da Ponta Grossa.
Também não havia abastecimento na Vila Menina Alvira e Coronel Aparício Borges, por manutenção corretiva na estação, e na estrada Cristiano Kraemer, bairro Aberta dos Morros, por parada emergencial na estrutura local. “Queremos pedir desculpas e dizer que estamos fazendo todo o esforço. Estamos fazendo todas as atitudes possíveis para devolver a água e fazer isto funcionar lá na ponta. Agora há uma emergência, e os remédios que temos neste momento são estes. Há um diálogo franco com a população que está sendo feito”, pontuou o prefeito.
Além do aumento do número de caminhões-pipa para 21 para abastecer áreas como Lomba do Pinheiro, Morro da Cruz e Morro São José, a Prefeitura vai ainda pedir à CEEE Equatorial para instalar geradores em estações de tratamento relacionadas a áreas altas de Porto Alegre. Sabe, porém, que o tempo médio de resolução da falta de energia nestes locais por parte da distribuidora subiu de seis para dez horas. “Somos o maior cliente deles (CEEE Equatorial) e não podemos ter este tratamento”, criticou Melo.
A Administração também solicitou dupla alimentação de energia em estações onde for viável, devido às “frequentes oscilações no serviço”. As manobras na rede continuarão ocorrendo, assim como as reuniões com as regiões afetadas. Loss, no entanto, reconheceu que houve atritos, por exemplo, justamente com os moradores da Quinta do Portal. “No sábado, houve um primeiro protesto, e estive junto à comunidade para ouvi-los, atendê-los e me solidarizar. Na segunda-feira, senti que a população estava muito alterada e recuei. Entendemos a revolta da população. Mas estamos buscando todos os meios possíveis para restabelecer o atendimento”, disse ele.
Coletiva de imprensa da prefeitura e do DMAE sobre desabastecimento de água em Porto Alegre
Como a crise começou
O cenário de crise iniciou por atrasos em obras estruturais, causadas pela mudança de catálogo por parte da principal empresa que fornece de tubos e conexões ao Dmae. “Fizemos um pedido conforme o catálogo deles e, no final, eles haviam atualizado tudo”, comentou Loss. Com isso, o órgão público não pôde cumprir com os cronogramas. Houve ainda a intensificação da onda de calor na Capital e um “aumento expressivo” no consumo de água.
No caso da Lomba do Pinheiro, o local recebe água tanto pela Estação Belém Novo quanto pela Menino Deus, porém a primeira apresentou falhas de energia e a segunda precisou atender a regiões na mesma rota também com falta do abastecimento, como a Vila São José, A solução proposta pela Prefeitura é captar água de maneira provisória na Represa Lomba do Sabão, localizada no Parque Saint’Hilaire, na divisa entre Porto Alegre e Viamão.
Para isto, serão retomados os estudos sobre a qualidade da água do local, dez anos após sua desativação em razão da poluição. Em 2020, laudo técnico do Dmae ressaltava que a represa era importante “como manancial para o município de Porto Alegre, sendo reserva técnica de água em caso de impossibilidade de abastecimento por parte do Lago Guaíba”, mas havia melhorias a serem feitas. A Prefeitura ainda anunciou que as obras do Sistema de Abastecimento de Água (SAA) Ponta do Arado vão atrasar, com previsão de conclusão para 2026, dois anos depois do previsto inicialmente, porém estão mantidos os R$ 250 milhões em investimentos.