Cidades

Prefeitura de Porto Alegre quer encerrar neste ano análise de estudos para nova Marina da Orla

Com mais de 2,5 mil páginas, documentos já foram entregues à Secretaria Municipal de Parcerias

Marina pública deve se localizar na região do trecho 2 da orla do Guaíba, junto ao Anfiteatro Pôr-do-Sol
Marina pública deve se localizar na região do trecho 2 da orla do Guaíba, junto ao Anfiteatro Pôr-do-Sol Foto : Guilherme Almeida

O projeto da Marina da Orla, também chamada de Marina Pública, junto ao trecho 2 da orla do Guaíba, na região do Anfiteatro Pôr-do-Sol, em Porto Alegre, segue na fase de análise dos estudos apresentados pelos dois consórcios de empresas autorizados pela Prefeitura no ano passado. Os documentos em si apresentam as modelagens técnicas e econômico-financeiras para as futuras obras. A projeção, de acordo com a secretária municipal de Parcerias, Ana Pellini, é encerrar esta etapa ainda neste ano, para depois elaborar e publicar o edital de construção em si. 

Os estudos, pagos pelo vencedor e, portanto, sem custos para o Executivo municipal, foram autorizados há cerca de um ano, em outubro de 2021, e os vencedores anunciados dois meses depois. São dois grupos vencedores: o primeiro reúne as empresas Cheetah Consultoria Empresarial, Photo Arquitetura, PierBrasil Engenharia e Soluções Tecnológicas, Arvut Meio Ambiente e Superfície Engenharia, e o segundo, as empresas Construtora Pelotense Ltda e RGS Engenharia S.A.

Outros dois requerimentos foram rejeitados na ocasião. As empresas chegaram a entrar com recurso, questionando a justificativa da prefeitura, mas o pedido foi negado. Depois, em abril deste ano, o prazo para entrega dos estudos foi prorrogado dos 90 dias originais para mais três meses. “Os estudos têm mais de 2,5 mil páginas. Temos que analisar a parte arquitetônica, financeira e ambiental, que é nosso maior desafio, especialmente relacionado ao esgoto. O prefeito também tem pressa nisto”, avalia a secretária Ana.

Ainda de acordo com a prefeitura, o trecho 2 da orla, que está localizado entre a Rótula das Cuias e o Arroio Dilúvio, tem 134,4 mil metros quadrados e 850 metros de extensão, e reúne as condições para a construção de uma marina, entre outros empreendimentos relacionados. Porto Alegre já teve a Marina Pública Municipal Comodoro Edmundo Soares, na região do Cais Mauá, no Centro Histórico, em uma área de 4,8 mil metros quadrados, que oferecia, além da guarda de embarcações, inclusive exame de habilitação náutica.

Em finais de semana, a marina, concedida na época à Federação de Vela do Rio Grande do Sul (Fevers), recebia até 50 embarcações e mais de 200 usuários diariamente. Uma liminar do então governo do Estado determinou o encerramento das atividades, em 2007. Luciano Max Graser, administrador desta primeira marina, diz que o projeto de uma nova já é antigo. “Porém, ele sempre fica parado em relação ao meio ambiente, falta de verba, e fica muitos anos sem ter nada. Hoje, quase não existem marinas que não sejam as particulares, cujo custo é altíssimo”, afirma.

Segundo ele, que diz ver com bons olhos o novo projeto, as marinas públicas são acessíveis a um público mais simples. “Além da navegação de lazer, Porto Alegre depende também da navegação profissional, fiscalização, resgate e socorro por água. Os Bombeiros, Marinha, Dmae, Polícia Federal utilizavam a estrutura da antiga. Algumas destas já têm seus locais na beira do rio, mas é mais um ponto de apoio para elas. Aos poucos vemos que o governo tem voltado seus olhos para uma Porto Alegre que tem um rio, o grande motivo pela cidade se chamar assim”, diz Graser.