Cidades

Prefeituras discutem em Porto Alegre soluções para atrair e reter público nos centros históricos

Retenção de moradias e mudanças culturais foram destacadas por prefeitos de Porto Alegre, Recife e Curitiba

Primeiro dia de palestras do 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Áreas Centrais
Primeiro dia de palestras do 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Áreas Centrais Foto : Pedro Piegas / PMPA / CP

O primeiro dia de palestras do 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Áreas Centrais, realizado na Usina do Gasômetro, no Centro Histórico de Porto Alegre, discutiu em um de seus painéis, na manhã desta segunda-feira, as soluções adotadas pela Capital gaúcha, além dos municípios de Recife e Curitiba para melhoria da qualidade de vida de seus Centros, a fim de ampliar a qualidade de vida de moradores e turistas. Também foram discutidos problemas comuns às cidades.

O mediador do painel foi o arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, uma das maiores referências globais na área, que salientou ser “uma grande alegria perceber que vocês estão tendo os mesmos problemas que quase todas as cidades do mundo ocidental”. Para ele, a cidade está se transformando de um lugar onde se faz compras para um local onde se busca experiências.

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, disse que a cultura do carro no Brasil "é muito poderosa", e um grande desafio para criar cidades mais humanas. Segundo ele, "o Centro Histórico só terá sucesso se mais pessoas morarem na região", pois o comércio de rua perdeu força para os shoppings e para a Internet, e a falta de moradia e segurança, com efeito, afasta as pessoas.

"As mudanças mais difíceis da humanidade em todas as áreas são as mudanças culturais. As cidades não foram concebidas com mobilidade humana adequada. Também não adianta investir dinheiro público em tudo o que estamos investindo se não houver moradias no Centro", comentou Melo. Salientando as virtudes do Recentro, criado em 2021 pela Prefeitura do Recife para cuidar do Centro Histórico, a chefe do Gabinete do Centro do Recife (Recentro), Ana Paula Vilaça, comentou que "a gente só vai conseguir trazer as pessoas pra andar a pé, pra andar de bicicleta, se o espaço público tiver bem cuidado”.

A resposta do município ao esvaziamento envolveu a concessão de incentivos fiscais para atrair novos ocupantes e habitações. “Como é que a gente muda a forma de planejar, a gente muda a forma de conceber os nossos projetos a partir da escala humana? Entendemos, por exemplo, que era necessário um plano com ações de curto, médio e longo prazo para que, independentemente da gestão, tivéssemos uma bússola do que fazer no Centro Histórico”, salientou Ana.

Entre elas, a instalação de um mobiliário urbano próprio aumentou as vendas dos quiosques de produtos locais. Tatiana Terra, assessora especial do gabinete do prefeito de Curitiba, demonstrou o programa Curitiba de Volta ao Centro, focado em combater o esvaziamento populacional, a insegurança e a deterioração do patrimônio histórico.

Por meio de uma ação de “moradia diversificada”, a Administração oferece incentivos fiscais e uma subvenção, reembolsando até 25% do valor investido em retrofit para uso habitacional. “O esvaziamento populacional acarreta em uma série de outros desafios que nos é imposto: a sensação de insegurança, a percepção do abandono daquela região. Percebemos que o curitibano tem uma relação muito afetiva com o Centro. Todo mundo tem uma memória de algo especial que passou com sua família”, disse ela.

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