Pouco mais de um mês após o dilúvio que quase aniquilou a Vila dos Sargentos, os moradores da comunidade no bairro Serraria enfrentam novo avanço da água na zona Sul de Porto Alegre. Mais do que represar e impedir a redução do nível do Guaíba, o vento forma ondas que se chocam com violência contra ruas e paredes de residências.
A inundação já chegou novamente ao interior de casas próximas ao leito. No entanto, ainda há poucos moradores ali após a enchente de maio.
Um dos poucos habitantes da área é o aposentado Marco Aurélia Souza, de 64 anos. Ele perdeu tudo mas, apesar de ter apenas o colchão que lhe foi doado, fez questão de retornar para casa após um mês morando com amigos no bairro Santa Tereza.
“Quase morri durante a cheia do Guaíba. Se estou vivo, é graças aos vizinhos que me resgataram em um barco. Perdi tudo e não vou comprar nada novamente, porque não tenho dinheiro”, lamentou o morador.
A Vila dos Sargentos ainda tem o rastro de entulhos que a enchente deixou. Em becos e vielas estreitas, onde o chão é de terra, os resíduos se somam ao lamaçal e dificultam a passagem a pé.
Outra marca que o dilúvio deixou na localidade são os animais abandonados. Em praticamente todas as ruas há gatos e cachorros famintos que, em vão, reviram pilhas de lixo em busca de alimentos.