Cidades

Pretos e pardos são mais de 70% dos pobres e extremamente pobres, aponta IBGE

Levantamento publicado nesta quarta-feira mostra perfis da população em situação de pobreza no País

Foto : Tânia Rêgo / Agência Brasil / CP

Um estudo publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira, traçou um recorte por sexo e raça/cor da parcela da população brasileira que se encontrava em situação de pobreza ou extrema pobreza em 2022. A diferença mais significativa aparece na análise por raça ou cor.

No Brasil, pessoas pretas e pardas são 73% dos pobres e extremamente pobres. Os dados integram a Síntese de Indicadores Sociais (2023). O levantamento consiste em uma análise das condições de vida da população brasileira, com base em diversos dados sobre trabalho, renda, educação, segurança, entre outros aspectos.

De acordo com os critérios definidos pelo Banco Mundial e utilizados pelo IBGE no estudo, considera-se como em situação de pobreza pessoas com ganho médio diário de até US$ 2,15 (cerca de R$ 10,50 pela cotação atual) e extrema pobreza, de US$ 6,85 (cerca de R$ 33,77 pela cotação atual).

A análise por sexo não revelou diferenças significativas. A incidência de pobreza entre mulheres e homens também não se mostrou divergente, ficando em torno da incidência média total.

Arranjo familiar

O arranjo domiciliar formado por mulheres pretas ou pardas responsáveis, sem cônjuge e com presença de filhos menores de 14 anos de idade também foi aquele que concentrou a maior incidência de pobreza, com 94,8%. Deste público, 22,6% dos moradores eram extremamente pobres e 72,2% eram pobres.

Aposentadoria e pensão

De acordo com o IBGE, o acesso de pessoas idosas a aposentadorias e pensões é o principal fator explicativo para este grupo ter as menores taxas de extrema pobreza e pobreza entre os grupos populacionais analisados. Na ausência desses benefícios, as proporções seriam de, respectivamente, 39,9% e 61,4%, o que mostra a efetividade dos benefícios na redução dos níveis de pobreza.

Impacto dos programas sociais

O estudo detalhou ainda as principais fontes de renda. No caso das pessoas em extrema pobreza, 67% do rendimento domiciliar vem de benefícios e programas sociais, 27,4% são fruto de remuneração por trabalho; 1% é de aposentadoria e pensão e os demais 4,6%, de outras fontes.

Já no caso das pessoas em situação de pobreza, 63,1% da renda vem do trabalho; 20,5% é oriundo de benefícios e programas sociais; 13,3% vem de aposentadoria e pensão; e 3,1% são de e outras fontes

O estudo avaliou o impacto de programas sociais na pobreza e na extrema pobreza. Se não existissem os programas, a extrema pobreza seria 80% maior, de acordo com o IBGE. O percentual de 5,9% subiria para 10,6%. 

Com relação à pobreza, os impactos seriam menores, com uma proporção de pobres 12% maior do que o efetivamente registrado. O percentual subiria de 31,6% para 35,4%, em 2022.