Preparar os agentes de saúde para atender pessoas com problemas emocionais que podem desencadear tentativa ou até mesmo suicídio foi o objetivo do oitavo Seminário de Promoção a da Vida e Prevenção do Suicídio. O encontro promovido pelo Comitê Estadual sobre o tema ocorreu no teatro municipal de Rio Grande, nesta quarta-feira. O evento foi o primeiro fora da capital do Estado.
Para a secretária municipal de saúde, Zelionara Branco é o momento que requer um olhar especial para as pessoas que passam por sofrimento psíquico.." Juntamos forças para lidar com a questão e enfrentar o problema", diz. A coordenadora da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, Milena Hoffmann comemorou a descentralização do Seminário. "Com o evento podemos levar o assunto para o território. Precisamos trabalhar, discutir, nos fortalecer, é uma troca", destaca.
Foram discutidos com profissionais da saúde assuntos relacionados à temática. "Sabemos que estamos no Setembro Amarelo, que fala de prevenção ao suicídio, mas queremos conscientizar os profissionais para falar da temática todo o ano, para que consigamos discutir esta pauta", justifica o coordenador do Comitê Estadual de 'Promoção Á vida e Prevenção ao Suicídio, Bruno Moraes da Silva. Ele, que foi o primeiro palestrante do dia lembrou, os principais conceitos de suicídio, de suicida, de tentativa de tirar a própria vida e os principais encaminhamentos que são realizados para qualificar o acolhimento que é feito para os pacientes e usuários que chegam nas unidades de saúde, com o sofrimento emocional.
Silva também falou sobre os números no Estado. "Infelizmente a tendência é de aumento nacional na taxa de mortalidade por suicídio e no Estado não é diferente", lamenta. No período de 2015 a 2023 a taxa de mortalidade por suicídio aumentou 38% no Brasil e no RS 32%. O Estado fechou 2023 com 1548 óbitos por suicídio, número preliminar que pode aumentar. "Infelizmente, os dados corroboram a importância de se falar sobre este tema. As principais vítimas da mortalidade por suicídio são homens de 60 anos mais. Já o perfil das pessoas que tentam suicídio é feminino, principalmente jovens mulheres no pós pandemia, pois é uma geração que passou pelo isolamento", justifica. Ele afirma que tudo o que ocorreu relacionado ao coronavírus é inerente e acaba interferindo na saúde mental dos jovens. "Agora a questão da enchente também, mas não temos ainda os números deste ano. Acredito que infelizmente com certeza vai acabar impactando os números", projeta.
O objetivo do comitê é realizar cada vez mais eventos descentralizados, ou seja, sair de regiões como o sul, o vale do taquari, centro oeste, norte. " Esperamos que o evento de Rio Grande seja o pioneiro e modelo para os próximos do comitê", observa.
O Comitê lançou este ano a campanha "Pedir ajuda faz bem", com o objetivo de conscientizar a população que está em sofrimento emocional a buscar ajuda. "Infelizmente é cultural não falar sobre sentimentos, menosprezar o sofrimento emocional. Este ano lançamos a campanha para conscientizar quem está em sofrimento para sair do silêncio que agrava a crise", afirma. Silva ensina que as pessoas nesta situação podem procurar amigos, familiares, enfim alguém de confiança, mas principalmente buscar ajuda especializada.. "Quem está em sofrimento deve ir na unidade de saúde mais próxima de casa, conversar com o profissional. Que consigamos qualificar o atendimento para quando o usuário possa procurar em caso de sofrimento", finaliza.