A partir desta segunda-feira, dia 31, começa a vigorar a nova tarifa do transporte público de Porto Alegre, a R$ 5. O reajuste foi fixado por meio dos decretos 23.209/25 e 23.210/25, publicados em edição extra no Diário Oficial do Município de Porto Alegre (Dopa) da última sexta-feira, 28. Desde junho de 2021, o valor da passagem custava R$ 4,80. O ajuste foi de 4%. Entre os usuários do transporte, persistem as críticas relacionadas ao grande intervalo entre as conduções, aos atrasos e à estrutura dos ônibus, que muitas vezes não contam com ar condicionado em pleno período de episódios de onda de calor.
Janaina Ortega, moradora de Porto Alegre e cuidadora de idosos, até acha justo o reajuste, mas não para alguns bairros, onde a condução costuma demorar mais. A usuária, que rotineiramente pega condução de segunda a sábado, entre 8h30min e 9h da manhã, reclama da demora entre um horário e outro, principalmente em sábados e feriados. "Era para ele vir de meia em meia hora. Se perder, tem que ficar mais de 1 hora esperando", diz.
A ausência de ar-condicionado nos veículos também é um problema para Janaína. "Está bem difícil. Quando pega algum ônibus com ar, amém. Mas é bem raro. Em dias como hoje, que vai fazer 35 graus, vejo se não tem ar quando não tem ar, eu espero outro, aí chego mais tarde [no trabalho], porque é 1h de viagem".
Primeiro dia do aumento da tarifa de ônibus em Porto Alegre
A moradora no bairro Leopoldina Elisângela Rodrigues, de 53 anos, pega 6 ônibus por dia para trabalhar, e defende que o aumento da passagem não é justo para quem precisa das conduções muitas vezes ao dia, como ela. Utilizadora da linha C2, 4943, de Rubem Berta e T7, a operadora de caixa e técnica em enfermagem não tem queixas com o ar-condicionado, mas acredita que a estrutura dos ônibus poderia ser melhor.
Patrícia Marques Weber, de 47 anos, mora em Eldorado do Sul mas costuma utilizar conduções em Porto Alegre, porque trabalha no Centro Histórico. Para ela, a superlotação e a estrutura dos ônibus acaba interferindo na rotina das pessoas que trabalham, estudam que precisam das conduções para passeio. “A estrutura sempre acaba pecando muito. Tem muitas linhas que tem ar condicionado, não vou ser injusta, mas outras não têm. Se a gente paga, a gente tem direito de poder cobrar. Isso acaba sempre gerando transtorno, e ela só querem dinheiro, não pensam na infraestrutura para a gente conseguir usar no dia a dia”.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Porto Alegre (SMMU) e aguarda manifestação. O espaço segue aberto.