O projeto TEA Brasil, da Universidade Federal de Pelotas (UfPel) estuda a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em todo o pais. A iniciativa busca enfrentar lacunas existentes no SUS
Um dos principais focos do projeto é a identificação das áreas críticas que afetam o atendimento às pessoas com TEA. A análise está revelando a escassez de centros especializados e a urgente necessidade de mais profissionais capacitados, essenciais para garantir um atendimento de qualidade. Essa avaliação é fundamental para traçar estratégias eficazes e desenvolver políticas que possam melhorar significativamente o suporte disponível para essa população.
A Coordenadora do projeto, Juliana Vaz, destaca que é um primeiro projeto que estuda a estrutura do SUS. “A iniciativa tem três partes. Na primeira vamos estudar como a rede pública está organizada nos três âmbitos (nacional, estadual e municipal)”, explica. Ela conta que será feito o contato com secretarias de saúde, associações de pais, para buscar informações de como organizam a rede de atenção. “O projeto quer auxiliar para que em casos de crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA, o responsável saber onde buscar as terapias necessárias na rede pública”, observa.
A pesquisa começou neste ano e o trabalho de entrar em contato com as secretarias inicia no mês de fevereiro. “ A nossa expectativa é que no meio do ano já tenhamos os resultados”, projeta. Ela conta que a ideia começou dentro do programa de pós-graduação em Nutrição em Alimentos, onde há um projeto de extensão e pesquisa onde é realizado o atendimento de crianças e adolescentes com TEA para fazer um diagnóstico nutricional e trabalhar com as dificuldades alimentares. “O trabalho começou em 2018, tudo surgiu porque o Ministério publicou um edital pedindo para o trabalho de estudos transdisciplinares em saúde coletiva, então nos submetemos a proposta”, confirma.
O outro eixo da pesquisa é estudar as leis e políticas públicas existentes em cada Estado e no Distrito Federal. “É necessário que as pessoas saibam os tipos de leis que já existem de benefícios fiscais, garantias de direito, por exemplo . O nosso objetivo é entender o que tem de lei e política em cada Estado”, confirma. .E o terceiro eixo é um estudo sobre o que as pesquisas dizem em relação a qualidade de vida de crianças, adolescentes com TEA e seus pais/ cuidadores. “A partir disso queremos que as pessoas tenham acesso, o que tem direito, o que o Estado tem organizado. Para nós queremos entender o SUS e dar um retorno ao Ministério da Saúde o que precisa ajustar e fomentar”, confirma. Interessados em conhecer o projeto e acompanhar as publicações podem acessar o site e o instagram da rede TEA Brasil.