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Projeto Pescar completa 50 anos ajudando jovens a sonhar com uma nova perspectiva de vida

Projeto criado em 1976 em Porto Alegre já realizou a formação social e profissional de cerca de 41 mil jovens em situação de vulnerabilidade

Formação acontece de forma híbrida em unidades do Pescar no país e em empresas ou entidades parceiras
Formação acontece de forma híbrida em unidades do Pescar no país e em empresas ou entidades parceiras Foto : Rafael Brito / Projeto Pescar / CP

Criada em 1976 em Porto Alegre, a Fundação Projeto Pescar celebra 50 anos de fundação neste dia 20 de maio. Atualmente, o projeto, que atua na formação social e profissional de jovens entre 14 e 19 anos em situação de vulnerabilidade, está presente em 40 cidades de 12 estados do Brasil, com 67 unidades ativas. Até 2025, foram 40.833 jovens formados. Até o ano passado, eram 1.791 estudantes atendidos pelo projeto.

Para o superintendente de Impacto Social do Projeto Pescar, Ézio Rezende, o projeto permite que jovens consigam sonhar com uma nova perspectiva de vida ao ingressarem no mercado de trabalho por meio de uma formação gratuita com ênfase no desenvolvimento humano e profissional. Para isso, o Pescar conta com uma ampla rede de empresas parceiras mantenedoras, voluntários, educadores e colaboradores.

Rezende reforça que, na época em que a fundação foi criada pelo empresário gaúcho Geraldo Linck, seu fundador já vislumbrava na qualificação profissional de jovens como uma ferramenta de mobilidade social e desenvolvimento econômico. “Ele (Linck) já sabia que mexer em uma alavanca geraria um impacto para todos. As premissas que o projeto utiliza há 50 anos são as que estão pautando as políticas públicas para educação atualmente. O Pescar não é apenas focado na formação, mas em mudar a perspectiva desse jovem”, considerou o superintendente.

A formação dentro do projeto é voltada em dois grandes eixos: a cidadania e o direito pessoal; e a iniciação profissional. Desta forma, Rezende explica que é possível guiar os jovens no desenvolvimento de diversas habilidades, principalmente pessoais, que são buscadas atualmente no mercado de trabalho. Uma pesquisa recente feita em parceria com o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação e Economia Social (Lepes) da Universidade de São Paulo (USP) aponta que um egresso do Pescar ganha um salário 33% maior que um jovem que não passou pelo projeto.

Parte da formação ocorre dentro de empresas, algo considerado como um diferencial pelo projeto por aproximar o jovem dos demais atores do mercado de trabalho. O superintendente elencou ainda que o objetivo para o futuro do Pescar é buscar parceiros para aumentar a escala de resultados registrados e de jovens que tiveram a vida mudada através da qualificação. Ele destacou ainda o potencial do projeto como agente de fomento de um ecossistema de inovação e aprendizagem.

Atualmente, o Pescar conta com mais de 200 parceiros que ajudam a manter o projeto. “Cada vez mais, queremos também a participação de pequenas e médias empresas, que são justamente quem mais precisa de profissionais capacitados no mercado para aumentar a produtividade. O investimento na formação respinga e toda a sociedade. Queremos levar essa bandeira como convicção para engajar vários atores em um grande ecossistema necessário para produzir as transformações que o Brasil precisa. Estamos comprometidos com o futuro do país”, completou.

Jovens interessados a concorrerem vagas de formação no projeto Pescar podem acompanhar as oportunidades disponíveis através do site da fundação. A inscrição ocorre conforme a abertura de turmas e é necessário preencher determinados pré-requisitos, sobretudo financeiros, que exigem renda per capta de, no máximo, meio salário mínimo. Os cursos são totalmente gratuitos e há apoio com passagens, alimentação, uniforme, entre outros benefícios.

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“Minha vida mudou totalmente”

Permitir que a vida tenha uma nova perspectiva foi o resultado da participação de Gregory Bairros no projeto. Ele entrou com 16 anos ainda em 2023 e, após estágio no Banrisul, foi contratado pelo próprio Pescar para atuar na área de inovação da fundação. O egresso conta que a formação gratuita foi a primeira oportunidade dele no mercado de trabalho, tendo mudado sua visão sobre a atuação profissional e resultado em crescimento também na vida pessoal.

“Quando conheci o projeto, minha vida mudou totalmente. Lembro que eu não sabia muito o que queria. Queria ficar no meu canto, fazendo minhas coisas. Mas quando comecei no Pescar vi que existia um mundo além do que eu conhecia. Até em confraternizações eu indico outros jovens a conhecerem o projeto, porque isso virou a minha vida também”, afirmou Bairros.

Ele atua no HUB Pescar de Execução e Inovação, localizado no Shopping Total, em Porto Alegre. O local também funciona como a sede do projeto Pescar desde o final de 2024. A sede antiga do projeto, localizada nas proximidades do Aeroporto Salgado Filho, foi destruída pela enchente histórica de 2024.

Projeto com foco na saúde mental

Um dos objetivos do projeto, relacionado com o desenvolvimento pessoal, é cuidar também da saúde mental dos jovens em formação. Para isso, o Pescar conta com um núcleo de apoio psicossocial e pedagogo, tendo em vista que os atendidos vêm de realidade de vulnerabilidade social. De acordo com o superintendente Ézio Rezende, em 2025, 70% dos atendimentos feitos foram relacionados com a temática da saúde mental.

A educadora social do Pescar, Fernanda Rodrigues Alves da Silva, apontou que essa questão é um dos desafios enfrentados na formação de jovens, principalmente com relação ao imediatismo. “É preciso fazer o jovem perceber que, com pequenas conquistas, é possível construir algo maior. Nosso foco é trabalhar questões comportamentais, para que eles possam se colocar em qualquer área. Muitas vezes, esse jovem está em um espaço que nunca se imaginou estar. Ajudamos a mostrar o caminho para eles, para mudar a vida dele e todos ao redor”, concluiu a educadora.