Cidades

Projetos para a prevenção de novas enchentes são debatidos na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia

Especialistas alertaram para o alto risco de nova enchente

A dragagem e a mineração de areia do Guaíba também foram destacadas
A dragagem e a mineração de areia do Guaíba também foram destacadas Foto : Pedro Piegas

A Comissão de Assuntos Municipais tratou em audiência pública o tema “Prevenção de novas enchentes ocasionadas pelas chuvas de setembro na região Metropolitana de Porto Alegre”. Na reunião, realizada na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira, foram apresentados projetos para a prevenção e mitigação de novos episódios de enchente.

Deputado Joel Wilhelm destacou que essa é uma pauta que vem sendo muito trabalhada e que é necessário que todos os entes, municípios, estado e governo federal, “estejam em uma mesma página”. Ele considerou que são muitas ações que precisam ser executadas, mas é “necessário correr contra o tempo para colocar em prática”.

Sobre a ação de dragagem e a mineração de areia do Guaíba, Wilhelm declarou que “há mais de 20 anos se interrompeu esse processo. A mineração faz justamente isso e sem custo. Precisamos colocar as empresas interessadas na extração de areia e teremos a solução do problema sem custos para o Estado”.

O arquiteto Thomas Burger considerou que as previsões de chuvas para esse mês de setembro são suficientes para uma nova enchente e a mesma preocupação se estende para o mês de outubro. Dentro das sugestões apresentadas pelo presidente da Associação Atlanthica, Pablo Fabiano Leuck, está a abertura de calhas extravasoras de excesso de água na Lagoa dos Patos. Uma ação já realizada em outros estados. Ele lembrou que no contexto geral, o volume da chuva na bacia hidrográfica do Guaíba e Lagoa dos Patos foi o maior desde a cheia de 1941.

A abertura das calhas tem custo estimado em R$ 7 milhões e poderia ser feito em até duas semanas ou em 36 horas se feito em ritmo acelerado. A dragagem e a mineração de areia do Guaíba também foram destacadas a necessidade de se fazer.

A subsecretária de Projetos Estruturantes da Secretaria de Reconstrução Gaúcha, Daiane Menezes, considerou que o projeto apresentado pelo presidente da Associação Atlanthica deve ser analisado pelo Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Plano Rio Grande.

O secretário adjunto da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marcelo Carmardelli, destacou a quantidade de eventos climáticos que ocorreram no Estado no períodos de um ano. Ele recordou os episódios ocorrido em Caraá e Maquiné, em junho. As chuvas de setembro e novembro. O Vendaval de janeiro, que ocasionou problemas de energia elétrica, até chegar maio. Além dos três anos de estiagem. Ele afirmou que é necessário que uma adaptação e resiliência para essa nova realidade. O secretário destacou a importância de observar de que forma as ações em cada município refletem nos vizinhos e considerou a necessidade de desassoreamentos, a possível parceria com os mineradores e os incentivos do governo do Estado para essa tarefa.