Em agosto deste ano, a aquisição de um imóvel em um edifício situado na Rua General Neto, no bairro Floresta, em Porto Alegre, revelou uma realidade inesperada para seus novos proprietários. O apartamento, comprado à vista abriga um bueiro de esgoto cloacal do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), fato que não foi informado durante a negociação. Oculto por um tablado de madeira, o bueiro só foi descoberto após a remoção do piso para início das reformas no local.
Buscando esclarecimentos sobre a estrutura, os novos proprietários entraram em contato com o Dmae. O órgão confirmou que o bueiro pertence ao sistema de esgoto cloacal. E equipes realizam limpezas frequentes dentro do apartamento, devido aos extravasamentos regulares, causados pela sobrecarga no sistema.
Bento Ferreira considera que a situação, no entanto, é agravada pela contribuição irregular de condomínios vizinhos, que conectaram suas redes pluviais ao sistema de esgoto cloacal. Até mesmo o lixo de um hospital, localizado no entorno, segundo ele, contribui para entupimentos recorrentes.
O publicitário e a sua esposa moram atualmente no bairro Hípica, na zona Sul da Capital. O casal observa que a limpeza periódica do bueiro já não é eficaz, e também não considera adequada, pois a cada manutenção o local fica contaminado por resíduos humanos.
“Nossa solicitação é por uma solução definitiva, que inclui a realocação desse bueiro para fora do apartamento, eliminando a necessidade de intervenções”, declarou Ferreira, que ainda ressaltou que no momento, estão impossibilitados de reformar, alugar ou utilizar o imóvel, pois o risco de novos alagamentos expõe a prejuízos e potenciais responsabilidades com futuros inquilinos. “O apartamento tornou-se, infelizmente, um elefante branco”, desabafou.
Ferreira recebeu uma resposta, por email, do diretor-geral do Dmae, Maurício Loss, informando que o Departamento está acompanhando o caso e que “já ficou constatado que não há como desviar a rede por questões topográficas, pois ali seria um ponto mais baixo da rede para que haja vazão de acordo”, e que a rede coletora das calhas do prédio, que está conectada com essa rede, deveria estar ligada na rede pluvial.
Em nota, o Dmae informou que o prédio em questão foi construído sobre um coletor de fundos de esgoto cloacal, destinado para receber exclusivamente os rejeitos sanitários da quadra formada entre as ruas Tiradentes e General Neto.
O Departamento também confirmou que o poço de visita, localizado no interior do apartamento, apresenta extravasamento nos dias de chuva, e que as equipes do Dmae constataram que o problema é causado pelas calhas do prédio, que foram direcionadas irregularmente para a rede cloacal, que passou a apresentar sobrecarga.
A nota ainda destaca que o condomínio foi orientado, em variadas ocasiões, a refazer a instalação, levando os resíduos à rede adequada. E concluiu informando que o Departamento mantém as ações de limpeza no local, sempre que solicitado pelo morador, com o objetivo de amenizar a situação até a solução definitiva, que depende de intervenções na propriedade privada.
A sindica, Cíntia Fischer, mora no prédio há 50 anos e há quase 15 faz a gestão do condomínio. Ela afirma que nunca recebeu notificação oficial do Dmae para a alteração das calhas do prédio, e que sempre houve reclamação dos alagamentos devido ao extravasamento do bueiro. De acordo com ela, o problema é agravado pela carga recebida dos prédios do entorno. “O que sei é que o problema não é só do nosso condomínio, e sim dos demais condomínios aos arredores que desembocam neste bueiro”, alegou.