Aproximadamente 50 pessoas integraram uma manifestação na BR 290, na altura do km 104, próximo à ponte do rio Jacuí. O grupo era formado por moradores do bairro Picada, de Eldorado do Sul, na região Metropolitana. Eles reivindicavam mais agilidade dos Executivos Federal, Estadual e municipal na implementação de ações para mitigar prejuízos causados por chuvas e enchentes que devastaram o município, em maio.
Com placas e cartazes em mãos, os manifestantes chegaram a bloquear totalmente a via, por volta das 9h. Após negociações com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), às 10h, eles concordaram em liberar uma das faixas. A rodovia foi liberada às 12h.
O protesto gerou engarrafamentos. O trânsito na ponte nova do Guaíba e na ponte do vão móvel ficou congestionado e os veículos trafegaram em velocidade reduzida por mais de 7 quilômetros.
Cleiton Rodrigues, de 41 anos, é pescador e líder comunitário no bairro Picada. Ele afirma que a principal reivindicação é por aluguel social.
“Estamos lutando, neste primeiro momento, por aluguel social e compra assistida. Basta andar pelo nosso bairro para ver que está tudo deserto. Nossas casas foram perdidas e ainda há excesso de burocracia para alugarmos outras, é uma situação que ninguém aguenta mais. Os governos federal e estadual dizem que enviam dinheiro, mas o municipal diz que a verba não chegou. São quatro meses fora de casa, não há mais como aturar isso”, disse o líder comunitário.
A manifestação chegou ao fim após a chegada do prefeito de Eldorado do Sul, Ernani de Freitas, que se reuniu com os moradores do bairro Picada às margens da BR 290. O mandatário afirmou que o Executivo Municipal irá fornecer auxílio de R$ 900, durante seis meses, às pessoas que saíram de casa. A expectativa é negociar com o governo do RS para que o montante atinja o mesmo valor de um salário mínimo.
"A prefeitura assumiu a responsabilidade de fornecer R$ 900 por família, durante seis meses. Também vamos formar um comitê, com representantes da gestão e moradores, para pedir o aumento desse auxílio, até que se alcance a base de um salário mínimo”, destacou o prefeito de Eldorado do Sul.
Eldorado do Sul tem uma população de aproximadamente 40 mil habitantes. Destes, cerca de 30 mil foram atingidos no dilúvio.
No auge da enchente, quase 5,5 mil pessoas chegaram a ficar desalojadas e outras 557, foram para abrigos da cidade ou de municípios vizinhos. A estimativa é que 97% da área urbana e 80% da área total do cidade ficaram submersas.
De acordo com a prefeitura, aproximadamente 1,5 mil famílias de Eldorado do Sul que saíram de casa ainda não conseguiram retornar. A maior parte permanece morando provisoriamente com amigos e familiares, mas ainda há 22 pessoas em um abrigo no município.