Cidades

Protesto por moradia e fim das queimadas na Amazônia percorre ruas de Porto Alegre

Manifestantes de diversas regiões do Estado passaram pro vias do Centro Histórico até a Praça da Matriz

Ato no Centro Histórico foi em alusão ao Dia da Amazônia
Ato no Centro Histórico foi em alusão ao Dia da Amazônia Foto : Camila Cunha

Integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens no Rio Grande do Sul (MAB) e outros movimentos sociais realizaram nesta quinta-feira um protesto no Centro Histórico de Porto Alegre por moradias para os atingidos pela enchente no estado e em alusão ao Dia da Amazônia, celebrado hoje. Eles deixaram a praça Brigadeiro Sampaio e se dirigiram por ruas e avenidas da área central até a Praça da Matriz, de onde se concentraram antes de participar de uma reunião com o governo do estado.

Atos similares também ocorreram em outros 17 estados, de acordo com a coordenação do movimento. Em Porto Alegre, os manifestantes vieram não apenas da Capital, mas de outras regiões gaúchas duramente atingidas pelas cheias, como o Vale do Taquari e Região Metropolitana. “Fazemos esta associação das enchentes aqui no Sul com as estiagens na região amazônica, relatando que tudo reflete as mudanças climáticas. As águas que ficaram demais aqui são as que faltaram lá”, comentou Alexania Rosssato, membro da coordenação nacional do MAB.

As moradoras Juraci Padilha dos Santos e Miguelina de Freitas são moradoras de Estrela, no Vale do Taquari, onde a primeira cheia de impacto ocorreu há exatamente um ano, deixando 51 mortos. Assim como muitas outras famílias da região, elas contaram que perderam tudo nas inundações. Miguelina, por exemplo, disse também a salvar a mãe, de 104 anos. “Foram poucas coisas que ficaram. A gente lavou e catou o que prestava, e o que não prestava foi fora. Não sobrou nada, e estamos aí, esperando para ver o que vai dar”, disse ela.

Miguelina agora disse ter se mudado do bairro Moinhos, onde morava, para Loteamento Popular, que também corre risco de inundações. “Quero conseguir um lar definitivo”, afirmou. Já Juraci, da coordenação municipal do MAB em Estrela, afirmou que ainda há centenas de famílias vivendo fora de casa no município, e em todo o Vale do Taquari, o número é de milhares. “A situação lá continua muito precária, porque se passou um ano e as pessoas ainda não têm suas casas. O descaso é muito grande com as pessoas atingidas pela enchente”, comentou ela.

Juraci ainda disse que a água da enchente de setembro de 2023 levou tudo de sua casa, inclusive janelas e portas. Ela chegou a ser reformada, porém, na seguinte, em novembro, a cheia atingiu novamente o endereço. Procurada, a Prefeitura de Estrela disse que há 347 famílias atualmente no Aluguel Social no município, contabilizando cerca de 600 a 700 pessoas. A Administração também comentou que já adquiriu oito hectares de terra para a construção de mais de 900 apartamentos e mais de 40 casas, com capacidade de infraestrutura, além de conseguir a aquisição de mais creches e escolas junto ao governo federal.