O psiquiatra Daniel Kumpinski, de 45 anos, trocou o divã por embarcações. Por hora, ele deixou as consultas para fazer parte do grupo de voluntários que atua em resgates na zona Norte de Porto Alegre.
O médico relata que, em um primeiro momento, navegou por três dias sozinho, se revezando entre um caiaque e uma prancha stand-up. A ideia era conversar com moradores ilhados que resistiam em sair de casa.
“Acabou sendo um pouco frustrante, porque a maior parte das pessoas não queria sair de casa. Isso ocorreu em parte pelo receio de saques e por elas não quererem ficar em instalações precárias nos abrigos”, afirmou.
Desde então, o doutor se uniu a outros voluntários, com quem percorre os bairros Navegantes, São Geraldo e Humaitá. Nesta quinta-feira, ele auxiliou no resgate de documentos históricos que estavam em uma igreja alagada na região.
“A organização dos resgates, inclusive a parte material e financeira, está sendo feita por voluntários. Nesta catástrofe, a lógica se inverteu. É a primeira vez que corporações prestam apoio a voluntários, e não o contrário”, disse.
O psiquiatra não arrisca prever às consequências da enchente na saúde mental dos gaúchos. No entanto, ele não descarta a necessidade de um tratamento com foco em desastres.
“Existe uma área chamada psicologia do desastre, mas não sou especialista nisso. Vai ser necessário observar o efeito que a enchente vai ter nas pessoas, para depois adotar medidas”, ponderou.