A poucos dias de completar dois anos da enchente que castigou o Rio Grande do Sul, Porto Alegre, assim como diversos municípios, corre contra o tempo para avançar em melhorias nas previsões de eventos extremos e nas obras de reconstrução e de reforço do sistema de proteção contra cheias. Diversas frentes tiveram avanços, mas ainda há fatores para destravar as obras, envolvendo, principalmente, questões técnicas. O tema foi discutido nesta terça-feira na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, durante reunião da Frente Parlamentar de Monitoramento de Obras e Serviços de Macrodrenagem, presidida pelo vereador Ramiro Rosário (Novo). O encontro contou com a presença do diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone, e do titular da Defesa Civil de Porto Alegre, coronel Evaldo Rodrigues Júnior.
O vereador destacou a ação da Câmara de Vereadores de usar sua força política para atuar com monitoramento e atualizar os planos de contingência e o protocolo que a prefeitura deve adotar na elevação das águas, além de atualizar os prazos de entrega das obras mais estruturantes. Rosário lembrou que, além de haver falhas pontuais de manutenção, havia falhas estruturais em diques que não foram construídos ou com cota menor do que a prevista no projeto original.
"Nós vamos completar agora dois anos da enchente. E há muitas informações circulando sobre um possível super El Niño. As pessoas, evidentemente, ficam preocupadas também para responder aquela pergunta que nós estamos buscando também a resposta. Nós estamos protegidos? O que foi feito? O que ainda precisa ser feito?", diz o parlamentar.
Defesa Civil: reformulação e reforço da equipe
Titular da Defesa Civil, coronel Evaldo lembrou que, em 2023, o órgão possuía apenas oito servidores, e que passou por uma reformulação na sua equipe. Uma alteração legislativa permitiu que fossem criados cargos de agentes, e a possibilidade de contratação emergencial. Em agosto do ano passado, foram formados 31 novos agentes, além do ingresso de 25 profissionais concursados.
O coronel também destacou que novos serviços foram implementados para maior precisão dos eventos, como a contratação de um serviço de meteorologia que oferece dados de previsão em tempo integral. A partir de 2025, houve também a criação de núcleos comunitários da Defesa Civil, com reuniões em áreas mais atingidas da Capital, como a região das Ilhas. “A gente está em um trabalho de reformulação, reposicionamento e aprimoramento da Defesa Civil, que precisa se estruturar internamente para que possamos lançar esses desafios junto à comunidade”, disse Evaldo.
Sistema de proteção contra cheias envolve questões técnicas para avançar
O diretor-presidente do Dmae fez um balanço da situação das principais obras no sistema de proteção, detalhando os ritos licitatórios e o arcabouço legal que o órgão precisa seguir. Ele lembrou que o sistema, complexo, tem também competência do governo federal e estadual, além de incumbências e questões técnicas para execução.
Entre as obra que tiveram conclusão, Perrone destacou o dique da região da Fiergs e nos trechos 1 e 2 do dique do Sarandi, com obra de reforço estrutural e alteamento em 5,8 metros. O terceiro trecho ainda está sem previsão, dependendo do acolhimento de famílias. Ele também ressaltou que há alguns pontos de obras com fragilidade, que serão temas de reunião com a prefeitura ainda nesta semana. Entre eles, na avenida Guilherme Schell, nas proximidades da Usina do gasômetro e em uma área do dique localizado na avenida Edvaldo Pereira Paiva.
Foram detalhadas, também, a situação das 14 comportas. Do total, quatro ainda estão em obras: as passagens 11 e 12, que terão substituição de portões e previsão de conclusão em junho; a 4, que terá reforma e conclusão prevista para maio, e a 9, que será fechada até o final de maio.
Apesar dos entraves, Perrone destaca que o diálogo para as obras que envolvem as demais esferas estaduais e federais é positivo. Entre as mais complexas, está o sistema no arroio Feijó, na divisa entre Viamão, Alvorada e Porto Alegre, que envolve uma obra de R$ 2,5 bilhões, novas casas de bombas novas, além de desapropriações e os sistemas de proteção nas zonas Norte e Leste. “A gente tem contato quase que semanal com todos esses órgãos, é uma governança que a gente tem priorizado na obtenção tanto de recursos, quanto de liberações técnicas, fazendo com que as obras continuem ou iniciem o mais rápido possível”, disse o titular.
- Reconstrução de mais quatro trechos do talude do Arroio Dilúvio começa na segunda-feira
- Caminhões são entregues às cooperativas de Canoas para reestruturar reciclagem após as enchentes no RS
- Atingidos pelas enchentes em 2024 voltam a protestar e reivindicar pelas obras de contenção em Cachoeirinha