Queda no número de turistas argentinos tem reflexo na economia de Uruguaiana
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Queda no número de turistas argentinos tem reflexo na economia de Uruguaiana

Em janeiro, 112.849 pessoas entraram no país pela Ponte Internacional, contra 171.477 em igual período de 2018

Por
Fred Marcovici

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O fluxo de turistas argentinos pela Ponte Internacional, que liga Uruguaiana a Paso de los Libres, sofreu redução significativa neste verão, decepcionando agentes de viagens, rede hoteleira, postos de combustível, bares e restaurantes que fazem parte da Rota do Mercosul, trajeto dos viajantes até o Litoral Norte e Santa Catarina. Segundo o chefe do serviço da DPF na Aduna Brasileira, José Bueno, em janeiro houve 112.849 ingressos no país pela travessia, contra 171.477 em igual período de 2018. Uma redução de 34,2%. Já na primeira quinzena de fevereiro, foram 55.268 acessos contra 88.789 da primeira quinzena do mesmo mês em 2018. Queda de 37,76%. 

Os números traduzem a dificuldade financeira no país vizinho e a disparidade cambial entre o Peso e o Real. O primeiro reflexo foi constatado na redução gradativa no período de permanência dos turistas, pasando de um mês para períodos entre sete a dez dias. Também houve incremento no número de ônibus no lugar dos carros de passeio. Segundo o presidente do Sindilojas do município, Read Barakat, no comércio local, a repercussão foi imediata, com queda de 40% nas vendas aos viajantes dos primeiros três meses do ano. Barakat reitera a baixa cotação do peso, mas atribui à falta de produtos e inflação interna argentina fatores que permitiram com que os números não fossem ainda mais baixos. 

A rede hoteleira, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, também apresentou queda nas 15 unidades de Uruguaiana. Desde dezembro 2018, chega a 45%. De acordo com a associação, os turistas têm optado por pousadas, nem sempre legalizadas, ou aqueles estabelecimentos mais econômicos da rede.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Uruguaiana, Pedro Braccini, a retração em 50 dias, de 1 de janeiro a 20 de fevereiro, representou um índice negativo de 5% na empregabilidade no município. 

O Carnaval Fora de Época, que ocorre entre 21 e 23 de março, é a aposta de comerciantes e hoteleiros para compensar ao menos parte das perdas com a temporada de veraneio.