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Queimadas no interior de São Paulo deixam 41 cidades em alerta máximo

Ministro Alexandre Padilha acompanha a situação e avalia o quadro como grave

Governo de São Paulo cria gabinete de crise para combate a incêndios Estradas são interditadas e 41 municípios estão em alerta máximo
Governo de São Paulo cria gabinete de crise para combate a incêndios Estradas são interditadas e 41 municípios estão em alerta máximo Foto : Paulo Pinto / Agência Brasil / CP

O Estado de São Paulo tem 41 cidades em alerta máximo para queimadas. Dessas, 25 seguiam com focos ativos de incêndio ontem. A situação se agravou nas cidades paulistas na sexta-feira, e levou a gestão estadual a decretar emergência em 45 municípios afetados. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a maioria dos focos “está sendo extinta”.

O sábado transcorreu em meio à previsão de estado crítico para fogo no Estado, alertou a MetSul Meteorologia. “Uma frente fria já deve trazer chuva para pontos do Sul, do Leste e perto do Paraná, mas parte do interior de São Paulo ainda terá tempo seco e quente com muito vento, o que trará risco extremo de fogo”.

As áreas de maior risco, segundo a MetSul, são Ribeirão Preto, Franca e São José do Rio Preto. O governador sobrevoou as regiões afetadas. Segundo ele, além dos bombeiros, o governo conta com o auxílio das Forças Armadas, Marinha, Exército e da União das Indústrias da Cana-de-Açúcar. “Muito cuidado agora com aquelas regiões onde o incêndio pode alcançar casas, indústrias, para preservar a integridade física das pessoas.”

“Não é demais lembrar que a gente precisa ter o máximo de cautela. O esforço tem que ser conjunto para evitar a propagação. Temos uma combinação de fatores como altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar, ventos fortes. Tudo que é propício para ter ignição e o espalhamento desses fogos”, alertou. “É importante evitar as bitucas de cigarro, soltar balão, determinadas festas, piqueniques, fogueiras, qualquer coisa que possa dar início a incêndios”, orientou o governador.

Incêndios florestais que atingem o interior de São Paulo provocaram mortes, a suspensão total e parcial de rodovias que cortam o Estado e fizeram o governo paulista decretar, situação de emergência para 30 municípios, como Itápolis, Sertãozinho, São Bernardo do Campo e Piracicaba. De acordo com o Programa Queimadas, base de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Estado registro mais de 3.1 mil focos de incêndios ativos em todo território paulista em agosto.

Para efeitos de comparação, em agosto de 2023, os satélites usados pelo Inpe detectaram 352 focos de queimadas ativos entre todas as cidades de São Paulo durante o mês inteiro e 1.666, ao longo de todo o ano. Dois homens, funcionários de uma usina em Urupês, região metropolitana de São José do Rio Preto, morreram enquanto atuavam no combate às chamas.

Por conta dos incêndios, a Fundação Casa transferiu temporariamente adolescentes e funcionários da unidade Sertãozinho, que foi tomado pela fumaça, para o prédio onde funcionava a antiga unidade Ouro Verde, em Ribeirão Preto.

Oferta de ajuda

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, informou que o governo está disposto a ajudar o governo de São Paulo a amenizar a situação. “Estamos acompanhando a grave situação de queimadas e trabalhando para que medidas sejam tomadas o mais breve possível e a situação se resolva”, salientou.

O governo local criou um gabinete de crise para gerenciar ações de monitoramento e controle da situação. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) da Defesa Civil, há focos ativos de incêndio em 30 cidades, motivo pelo qual foi estabelecido alerta máximo para grandes queimadas.

“São localidades que estão com baixa umidade do ar e risco elevado com a onda de calor que atinge todo o estado”, informou, em nota, o governo do estado. Há riscos de esses incêndios serem potencializados por rajadas de ventos, atingindo grandes áreas de vegetação natural, além de emitirem “fumaça densa e tóxica que prejudica o meio ambiente e a saúde humana, causando problemas ao sistema respiratório e desordens cardiovasculares”.

A fumaça tem se espalhado por diversas áreas do Estado, e há registros de umidade relativa do ar abaixo dos 20%, além de calor bastante intenso – o que prejudica ainda mais a situação. Segundo o governo de São Paulo, dois funcionários de uma usina em Urupês morreram tentando combater um incêndio.

Alguns incêndios de grande porte levaram o governo local a interditar algumas rodovias, o que acabou por impactar “significativamente” o tráfego em várias regiões. Alertas foram emitidos sugerindo aos motoristas que evitem algumas rotas, e que se atualizem constantemente sobre as condições de tráfego no trajeto, antes de pegarem estrada.

“A principal recomendação é evitar atravessar áreas com cortinas de fumaça e fogo. Caso não haja essa possibilidade, reduza a velocidade, mantenha os faróis baixos acesos e uma distância segura do veículo à frente”, diz a nota do governo de São Paulo.