A enchente que atingiu diretamente mais de 180 mil pessoas em São Leopoldo, deixou 100 mil desabrigadas, alagou bairros inteiros e comprometeu o sistema de abastecimento de água na cidade exige, a partir de agora, ações mais incisivas e assertivas do poder público visando a reconstrução de espaços públicos e privados. Um levantamento feito pela Administração aponta que mais de 34 mil casas foram alagadas na enxurrada e 3.990 unidades residenciais já foram vistoriadas pelos agentes da Defesa Civil e a Secretaria da Habitação.
De acordo com os números apurados pela Prefeitura, cerca de 300 famílias deverão ser beneficiadas com aluguel social, no valor de R$ 882,61, com preferência a quem está em abrigos. Atualmente, 645 pessoas seguem alojadas, em cinco espaços ainda ativos em São Leopoldo. Como medida para solucionar os problemas habitacionais gerados pela enchente, a Prefeitura busca que o Governo Federal garanta recursos de R$ 20 mil para cerca de 10 mil famílias que necessitam fazer reformas e recursos para construção de 3 mil novas casas.
Também foi solicitado pelo município a liberação urgente de R$ 500 milhões para a construção dos projetos de infraestrutura das 1,5 mil casas da Steigleder, Justo, Cerquinha, Mauá e Manteiga e outras 1,5 mil moradias na Caibaté. No setor econômico, a Prefeitura já garantiu aos empresários do Município o acesso às linhas de crédito especiais para a recuperação de empreendimentos. Até agora, o Programa Supera São Léo, em conjunto com a Câmara de Vereadores e o Sebrae, recebeu a inscrição de mais de quatro mil empresas para garantir recursos e acompanhamento técnico às MEIs, micro e pequenos empresários.
Na questão da mobilidade, os desafios são a retomada do Pavimenta São Léo, com obras de calçamento e pavimentação asfáltica, na ordem de aproximadamente R$ 20 milhões, para garantir a recuperação da estrutura viária danificada e a qualificação urbana. O prefeito Ary Vanazzi enfatizou que, apesar do impacto da tragédia e dos enormes desafios que a cidade tem pela frente para se reconstruir, o resultado dessa experiência deverá ser elemento de força, coragem e energia para a reconstrução da cidade. "Somos uma cidade que saltou da décima segunda para a sétima maior economia do Estado, temos enormes desafios pela frente, e eu tenho certeza de que essas propostas são o caminho mais correto para que a gente possa fazer a cidade superar este período, voltar a crescer e virar a quarta economia deste Estado nos próximos anos", disse o prefeito Ary Vanazzi.
Com 300 máquinas, o empenho durante 24 horas de mais de mil trabalhadores, uma grande força-tarefa finalizou ainda no fim de junho a primeira fase da limpeza da cidade, com o recolhimento de mais de 300 mil toneladas de resíduos extradomiciliares. Na área da Saúde, 14 unidades foram atingidas e agora passam por reforma, reestruturação e aquisição de novos equipamentos. Segundo levantamento da Secretaria da Saúde, serão necessários aproximadamente R$ 17 milhões para essa reconstrução. Já a Secretaria da Educação estima que R$ 100 milhões devam ser investidos na reconstrução das 18 escolas municipais atingidas.