Cidades

Redução do intervalo dos trens depende de mais energia

As subestações de energia continuam danificadas, e o prazo para a completa operação das estações pode ultrapassar a previsão da Trensurb, que é 24 de dezembro.

Resultado da licitação para a recuperação das estações ainda fechadas deve sair em 10 de outubro
Resultado da licitação para a recuperação das estações ainda fechadas deve sair em 10 de outubro Foto : Pedro Piegas

A Trensurb começou a semana transportando 71 mil passageiros, com 19 das 22 estações em funcionamento entre Porto Alegre e a Região Metropolitana. Usuários reclamam dos intervalos longos entre os trens, que resultam em vagões lotados, especialmente nos horários de pico.

A tarifa é de R$ 4,50, incluindo transbordo com ônibus fretados entre as estações Farrapos e Mercado, na Capital. Até a terça-feira, foram realizadas 2.371 viagens nesse trecho. Os ônibus têm uma lotação que varia entre 36 a 50 lugares. Em muitas viagens, os passageiros vão em pé.

O diretor-presidente da Trensurb, Nazur Garcia, explica que os intervalos são influenciados pela disponibilidade de energia. E a redução do intervalo – atualmente de 15 minutos nos dias úteis e 20 minutos nos finais de semana – depende de reparos em pelo menos uma das duas subestações – no bairro Fátima, em Canoas, ou na Farrapos, em Porto Alegre – que foram danificadas pela enchente.

Entre o dia 20 de setembro e 1º de outubro foram realizadas 2.371 viagens de ônibus entre a Estação Farrapos e Centro de Porto Alegre | Foto: Pedro Piegas

“Não tem carga suficiente, energia elétrica é o nosso combustível. Para reduzir o intervalo precisamos de mais energia. Até a estação Farrapos conseguimos o equipamento de São Paulo", disse explicando que os disjuntores elétricos foram adquiridos por R$ 2,5 milhões, em uma parceria com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, “para uma operação com toda a segurança e tranquilidade”. Mesmo com as subestações inoperantes, Garcia informou que a equipe estuda possibilidades para a redução do tempo entre as viagens.

O diretor-presidente ressalta que a meta para a retomada das três estações que faltam – São Pedro, Rodoviária e Mercado – é 24 de dezembro. No entanto reconhece que a data pode mudar, pois depende da empresa que vai executar as obras de recuperação. Está prevista para o dia 10 de outubro a divulgação da vencedora da licitação.

O diretor-presidente também observa que “a excelência do serviço nas Estações da Trensurb só será possível no decorrer de 2025, que é o prazo para a recuperação total das estações”. Atualmente são oito trens em operação. Antes da enchente, 20 trens faziam o carrossel em horário de pico.

O presidente do Sindicato dos Metroviários do RS (Sindimetrô RS), Luis Henrique Chagas, declarou que os metroviários comemoraram a vitória pela volta das estações. De acordo com Chagas, o Sindimetrô tem a expectativa de que o governo federal libere os recursos para o restauro do serviço fundamental para a comunidade com a mesma agilidade que foi para a reconstrução do aeroporto.

Um dos principais desafios citados por Chagas é a terceirização da manutenção das estações, que perdura há cerca de 15 a 20 anos. O líder do sindicato destaca que se houvesse um quadro próprio de manutenção, as ações necessárias já estariam em andamento. Ele afirma que a burocracia e a dependência de processos externos dificultam a rapidez nas intervenções.

"Se nós tivéssemos hoje o quadro próprio de manutenção, com certeza muito o que deveria ser feito nessas estações já poderia estar em andamento. Uma vez que foi tudo terceirizado, depende de licitações, depende de mais dinheiro, tem toda uma burocracia que impede que seja mais ágil o processo”, disse ressaltando que a categoria aguarda a promessa do presidente Lula feita antes da eleição de não privatizar a empresa.