A prefeitura de Canoas implementa neste sábado uma série de medidas preventivas para fazer frente ao grande volume de chuva previsto ao longo final de semana. A água recuou nos pontos antes alagados da cidade, mas há temor de novos transtornos devido ao risco de aumento nos níveis dos Rios Jacuí, dos Sinos e Gravataí. Mesmo com a prevenção, boa parte dos moradores continua com receios.
O plano é alugar e empregar bombas flutuantes em áreas de risco. Segundo o Executivo Municipal, equipamentos do tipo já foram distribuídos em bairros da cidade.
As ações também incluem hidrojateamento para desobstrução de redes e limpeza de ruas. Além disso, haverá ainda reforço de argila para garantir a contenção no dique do bairro Mato Grande.
De acordo com o secretário de Defesa Civil e Resiliência Climática , Vanderlei Marcos, os rios que passam por Canoas estão com níveis em declínio, escoando normalmente para o Guaíba, e. sem a presença de vento sul, não há expectativa de represamento. Ele adiciona que as últimas atualizações dos institutos meteorológicos indicam um volume menor de chuvas nos próximos dias, comparado às previsões anteriores.
“Seguimos em estado de atenção e acompanhando os dados em tempo real, com responsabilidade e foco na prevenção. As ações estão em andamento, com casas de bombas funcionando, diques monitorados e trabalhos de limpeza pelas ruas. Permanecemos mobilizados para enfrentar qualquer situação com segurança e agilidade”, afirmou o secretário da Defesa Civil.
O bairro Rio Branco, que chegou a ser invadido por água nos últimos dias, não registrava inundações nesta manhã. As vias tornaram a ser transitáveis novamente, mas a os trabalhadores na região estão receosos com o futuro.
Sandro Luís Cardoso, 55 anos, trabalha em uma empresa de insumos agrícolas no bairro Rio Branco. O pátio do local ainda está alagado e boa parte do serviço permanece interrompido.
“Estamos com medo de que o prejuízo possa aumentar ainda mais. Nossas atividades estão paradas e, a depender da chuva, podem ficar sem prazo para voltar. Até tentamos instalar uma tubulação para auxiliar no escoamento, mas não conseguimos o nível de inundação”, avaliou o trabalhador.
A água também teve redução no Beco Irmãos Rizzo, na rua Berto Círio, no bairro São Luís, mas, por questões de segurança, a rede elétrica segue desligada.
Na última semana, cerca de 40 famílias foram retiradas do local e encaminhadas ao Centro Esportivo São Luís, na rua Engenheiro Rebouças, mas parte dos moradores já havia retornado neste sábado.
Remi Piccoli, 64 anos, natural de Farroupilha, na Serra gaúcha, mas mora há três décadas no Beco Irmãos Rizzo. O homem não chegou a sair de casa, mas a filha, Dafne, precisou ir para a residência de parentes. Ela voltou para casa na sexta-feira, após mais de uma semana.
“Se a água voltar a subir, terei que tirar minha filha de casa novamente. Eu não prendendo sair. Se o imóvel ficar vazio, nossas coisas vão ser furtadas”, destacou o morador.