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Remoção de corpos e restos da aeronave marcam dia seguinte à tragédia aérea em Gramado

50 profissionais trabalharam no rescaldo de acidente que deixou dez mortos e 17 feridos

GALERIA: Acidente em GRAMADO DIA 23/12/2024
GALERIA: Acidente em GRAMADO DIA 23/12/2024 Foto : Camila Cunha

A segunda-feira em Gramado foi marcada pela continuidade da remoção dos destroços da aeronave turboélice Piper Cheyenne 400, prefixo PR-NDN, que atingiu em cheio uma loja de móveis, mas antes, colidiu contra uma chaminé e telhados de ao menos cinco residências por volta das 9h15min do dia anterior. Por volta de 50 profissionais das forças de segurança, como Corpo de Bombeiros Militar local, Instituto-Geral de Perícias (IGP), Defesa Civil local, Brigada Militar e secretarias municipais da Prefeitura trabalharam no local no rescaldo. Retroescavadeiras e guinchos foram utilizados desde a madrugada. Tapumes também foram instalados para evitar a presença de curiosos e não atrapalhar a investigação.

O IGP informou que, dada a dinâmica da ocorrência, com a explosão do avião após a queda, a identificação dos dez corpos da mesma família provavelmente poderá ser feito apenas pela análise do DNA. Outras 17 pessoas ficaram feridas. O IGP disse que a conclusão dos materiais biológicos da área ocorreu por volta das 10h45min, e os restos seriam levados a Porto Alegre. No final da manhã, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) também informou que havia concluído os trabalhos que competiam a ela no rescaldo da tragédia.

A energia elétrica da região foi cortada pela RGE, e segundo os moradores, a concessionária informou que somente em dois ou três dias ela poderia ser restabelecida. A rua Ema Pereira Bastos, em cuja esquina com a avenida das Hortênsias houve a queda, foi isolada pela Brigada Militar, que reduziu o perímetro de interdição de 800 metros para apenas esta rua, devido à conclusão dos trabalhos iniciais de inspeção, o que não impediu a presença de curiosos e, principalmente, congestionamentos nos dois sentidos que alcançava dois quilômetros na metade da manhã.

Moradores relatam pavor após a tragédia

No entorno da tragédia, a vida em Gramado continuou relativamente normal nesta segunda, com os comércios locais abrindo as portas, porém com a maciça presença das forças de segurança. Nas demais pousadas próximas, turistas saíam dos locais com a suspensão das festividades do tradicional Natal Luz. O morador Valdir Paim contou que estava em casa quando ouviu um “forte estrondo” e viu um clarão. “Era por volta de 9h30. Eu estava em casa e senti o avião passar por cima dela”, contou. Ele disse ainda ter achado estranha a rota feita pelo turboélice, diferente dos demais aviões que partem do aeroporto regional de Canela. A sensação durou poucos segundos, e foi seguida pelo choque.

Uma das casas atingidas, e que teve o telhado praticamente arrancado por inteiro pelo avião, foi a do aposentado Claudio Sander, que, segundo vizinhos, já havia perdido duas esposas e um filho, este para a Covid-19, e vive em frente à loja. Abalado, ele estava pelo local nesta segunda, mas conversou pouco. “Vi só um clarão, um trovão, e foi isso”, relatou ele. Outro morador de relato impactante foi o do aposentado Henrique Herrmann, que estava com sua esposa, Denise Herrmann, no litoral quando tudo aconteceu. Eles vivem em uma residência com um amplo pátio ao lado da antiga loja. Tiveram apenas telhas arrancadas e janelas quebradas. “Quando fiz o seguro desta casa, me perguntaram se eu queria fazer contra queda de aeronave. Brincando, disse que não”, relatou.

Ele ainda contou que, assim que souberam da ocorrência, retornaram para casa, já sabendo que a casa poderia estar em chamas. "Cheguei por volta do meio-dia e o fogo já havia sido apagado. Vejo hoje que fui abençoado”, acrescentou. Há uma cerca-viva que separa o pátio do terreno da loja de móveis, e ela foi parcialmente chamuscada. Destroços ainda podiam ser vistos no local, assim como fragmentos de corpos foram removidos pelo IGP do gramado, segundo ele. “Você olhava e era assustador, parece cenário de guerra. Mas, graças a Deus, estamos todos bem”.