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Resgatada de um ferro-velho em São Leopoldo, cadeira de torcedor carrega memórias afetivas

Depois de décadas, agora restaurada e reformada, a cadeira perpétua voltou para preservar a história da família

Cadeira foi encontrada enferrujada no bairro Scharlau, ainda em 2014
Cadeira foi encontrada enferrujada no bairro Scharlau, ainda em 2014 Foto : Fernanda Guzmán Camargo / Divulgação / Especial CP

Por longas décadas a antiga cadeira perpétua do estádio Beira-Rio, na capital, acolheu e acompanhou o torcedor Voltaire Guzmán González, que sempre teve o Internacional como uma de suas grandes paixões. A adoração pelo time colorado passou de geração para geração e hoje a família toda é fanática pelo time que veste a camisa vermelha e branca. Mas, conforme lembra a neta Fernanda Guzmán Camargo, o avô que teve a primeira aquisição de título junto ao clube em 5 de junho de 1964, deixou passar desapercebida a retirada das cadeiras perpétuas quando o estádio passou por reforma em 2012 e cadeira do avô González foi colocada à disposição.

Com o nome grifado no encosto do assento, em letras grandes, garrafais e pujantes, em fevereiro deste ano a cadeira de González foi encontrada e resgatada pela neta do torcedor em de um ferro-velho, no bairro Scharlau, em São Leopoldo. A perpétua, que tanto acolheu González durante vitórias e derrotas coloradas, e mais ainda, que carrega recordações e lembranças do torcedor, foi finalmente devolvida à memória afetiva da família.

Fernanda conta que com a reforma do estádio colorado, e sem mais serventia, as cadeiras foram doadas para um clube em Novo Hamburgo que, mais tarde, vendeu para um ferro-velho em São Leopoldo. “Meu sogro, anos atrás, por volta de 2014, andava pelos ferros-velhos em São Leopoldo, e encontrou a cadeira. Eram duas. Na época ele tentou comprar, mas o proprietário, fanático pelo Inter, disse que não estavam à venda, pois só restava aquele par. As outras ele havia negociado com uma empresa da cidade que as transformara em prego. Não as venderia por valor algum.”

A neta conta que o avô faleceu em 2017, aos 91 anos, sem saber se realmente aquela era sua cadeira. Depois, em 2021, faleceu o sogro. “Neste ano, resolvemos voltar lá. As duas cadeiras estavam no mesmo local, destruídas e enferrujadas. O rapaz que nos atendeu disse que o antigo proprietário do ferro-velho era pai dele, e havia falecido. Falou que o pai era doente pelo Inter e que as cadeiras eram a paixão dele.”

A neta do torcedor contou toda a história do avô ao rapaz e também da tentativa do sogro em comprá-las do pai. Além de torcedor fanático, González também foi sócio remido, sócio paraninfo, conselheiro do clube e colecionou muitas outras atribuições. Quando finalmente terminou, sensibilizado, o então atual administrador do ferro-velho disse que não aceitaria dinheiro pela cadeira e que doaria para a família sem problema algum. “Ele disse que ela tinha que voltar de onde nunca deveria ter saído.”

Fernanda restaurou a cadeira, reformou a pintou. E, num churrasco de comemoração, a devolveu para a família, que comemorou o retorno do objeto contando casos e histórias envolvendo a figura do torcedor. “Ela tem um valor afetivo inestimável; é a preservação da memória do meu avô.”