Cidades

Responsabilidade dos sistemas de proteção contra enchentes ficará sob gestão do Estado

Governo federal garantiu que disponibilizará os recursos, mas administração deve ser centralidade

Bairro Praia de Belas continua alagado
Bairro Praia de Belas continua alagado Foto : Ricardo Giusti

A modernização, adaptação e a criação dos sistemas de proteção contra as enchentes deverá ficar sob tutela do governo do Estado, informou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, durante coletiva de imprensa em Porto Alegre, nesta terça-feira.

O ministro garantiu que o governo federal fará o aporte dos valores necessários, assim como a contratação de um estudo para avaliar as condições do Estado como um todo, mas a gestão desses sistemas não mais ficará sob o guarda-chuva dos municípios e, sim, do Estado.

"Pela complexidade do sistema, nós entendemos que não é aconselhável que o município cuide disso. Precisa mais musculatura, precisa mais infraestrutura. Então achamos que a competência adequada é do (governo do) Estado", afirmou Rui Costa.

Essa gestão deverá ser feita por um órgão específico do Estado, informou o ministro. Sobre forma – se será através da criação de uma empresa pública; de uma PPP (Parceria Público-Privada); ou um contrato próprio – ficará a cabo do Palácio Piratini escolher. "Por envolver várias cidades, não pode ser (um sistema) pulverizado", definiu.

O sistema de segurança está sob o encargo dos munícipios desde 1983, quando houve a dissolução do departamento do governo federal responsável por isso. Em Porto Alegre, a falta de manutenção do sistema – criado nos anos 1960 – foi o motivo para os alagamentos em grande parte da cidade. Este problema foi relembrado por Rui Costa, durante coletiva, que disse ser uma falha de 'vários anos'. O prefeito Sebastião Melo (MDB) também participou da coletiva.

Além da troca e realocação de bombas, aumento e reforço nos diques, o governo deverá custear todas as melhorias técnicas recomendadas, garantiu o ministro. Um estudo para realização de uma solução permanente ou estruturante para todo o Rio Grande do Sul será contratado. Ainda assim, os sistemas de proteção já existentes, como o de Porto Alegre e de alguns cidades da Região Metropolitana, terão prioridade na requalificação e atualização, uma vez que já estão prontos.

Segundo Rui Costa, a manutenção dessa tecnologia deverá ser feita de 'profissional', ou seja: constantemente. "Não pode ser algo que você, de vez em quando, vai ali e testa para ver se está funcionando", exemplificou, fazendo a analogia com um motor de carro: "Se não limpa, não troca o óleo, não dá assistência, o dia que precisar não vai funcionar".