Uma fábrica de pães artesanais do bairro Sarandi, em Porto Alegre, planeja duplicação após os desafios impostos pela enchente de maio. Apesar das dificuldades e da sensação inicial de que o negócio não sobreviveria, os sócios da Salga veem o pós-enchente como uma grande oportunidade de expansão.
Após 34 dias de fechamento e um prejuízo de R$ 100 mil, a empresa também enfrentou a queda no turismo no Sul do Brasil, que afetou suas vendas para o mercado hoteleiro, especialmente na Serra. No entanto, mais de cem dias após a enchente, a retomada está trazendo novas perspectivas e oportunidades de crescimento.
"A retomada está sendo melhor do que a gente imaginava. Eu fui o primeiro a entrar aqui quando a água baixou, e aquele dia eu achei que não tinha mais volta. Foi um dia mais triste da minha vida. Mas quando a gente voltou, os clientes foram vindo”, conta o sócio-diretor de produção Rafael Marcellino.
Marcellino também revela que já havia planos de expansão antes da enchente, e que o Programa BNDES Emergencial para o Rio Grande do Sul poderia acelerar esse crescimento. Contudo, a dificuldade em acessar o benefício federal e a falta de previsões claras sobre o recurso forçam os sócios a considerar alternativas de financiamento mais caras.
A empresa, que começou em 2016 em casa, conta com três sócios formados na área de gastronomia. Desde 2021, expandiu seu mercado e obteve sucesso inesperado no setor de hamburguerias. O principal produto é o brioche.
A meta é dobrar o número de negócios até o final do ano. Atualmente, a empresa fornece pães para cerca de 40 clientes, incluindo bares, restaurantes e hotéis em diversas regiões do Estado, como Serra e Litoral.
A reforma do espaço atual foi desconsiderada, pois a intenção é sair do bairro Sarandi, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes e que também abriga muitos negócios. Embora a mudança ainda não seja viável, a nova localização será escolhida com atenção ao risco de alagamentos.
A expectativa para o crescimento das vendas está no aumento do turismo na Serra, impulsionado pelo Natal Luz, e na melhoria das estradas e da abertura do aeroporto. Apesar das dificuldades, a equipe foi ampliada, e Marcellino destaca o apoio significativo de clientes, parceiros, concorrentes e empresas de fora do Estado, que contribuíram com antecipações de pagamento, descontos e suporte essencial durante a reconstrução. A aquisição de novos maquinários com 40% de desconto, fornecidos por uma empresa parceira do interior do RS, também ajudará na retomada e no aumento da produção.
Segundo Marcellino, o amor pela profissão é o ingrediente principal na produção dos pães artesanais, que são feitos em escala industrial, e a resiliência da equipe é fundamental para essa reconstrução.
Padaria "Salga" no Sarandi, reinicia atividades pós enchente de maio de 2024