Cidades

Reunião de Frente Parlamentar aborda planos de prevenção e mitigação diante de desastres naturais

Conhecimento científico do renomado professor Masato Kobiyama foi exposto para autoridades públicas, legisladores e a população em geral

O professor Masato Kobiyama enfatizou a importância da educação na preparação e prevenção de desastres naturais
O professor Masato Kobiyama enfatizou a importância da educação na preparação e prevenção de desastres naturais Foto : Pedro Piegas

Nesta sexta-feira, a Frente Parlamentar de Proteção e Defesa Civil tratou sobre os planos de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de desastres naturais. O encontro, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do RS, foi acompanhado por especialistas e representantes de diferentes órgãos e instituições do Estado e da Capital.

De acordo com o Capitão Martim, o objetivo da reunião foi trazer o conhecimento científico do renomado professor Masato Kobiyama. Atualmente ele é titular do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador substituto do Grupo de Pesquisa em Desastres Naturais (GPDEN) no IPH-UFRGS, além de membro da Global Alliance of Disaster Research Institutes (GADRI) do Disaster Prevention Research Institute (DPRI) da University of Kyoto.

"O principal, agora, é a questão da prevenção. Nós temos que preparar as cidades, preparar a mentalidade do povo gaúcho e precisamos ter uma política permanente de proteção e defesa civil”, disse o deputado.

O parlamentar ressaltou que os encontros da Frente vão tratar de soluções imediatas, de médio e longo prazo. A curto prazo, medidas como a dragagem de canais de navegação foram sugeridas para reduzir impactos de inundações e fortalecer a economia local. Para o médio e longo prazo, o conceito de "cidade esponja" foi mencionado, enfatizando a necessidade de preparar infraestruturas urbanas contra áreas de inundação e outros desafios climáticos.

O deputado também destacou a formação de um comitê extraordinário na Assembleia Legislativa, que se estenderá até janeiro de 2027, com o propósito de integrar esforços entre entidades públicas, universidades e centros de pesquisa. A união de diferentes setores, independente de afiliações políticas, foi ressaltada como essencial para o sucesso das iniciativas em salvar vidas e proteger o Estado contra futuros desastres naturais.

O professor Kobiyama enfatizou a importância da educação na preparação e prevenção de desastres naturais. Ele destacou que, embora o Estado já esteja na fase de recuperação após eventos trágicos, é fundamental pensar estrategicamente para o futuro.

Ele afirmou que mesmo com a quantidade de chuva histórica que atingiu o Estado, os danos poderiam ter sido mitigados. O professor ainda destacou que os fenômenos naturais sempre existiram, mas com o aumento da população vai ocorrendo os desastres naturais, que é quando os danos atingem e causam prejuízo para a população. “ Tem que entender os fatores ambientais e sociais para explicar os acontecimento”, observou.

Entre as ações que potencializam a crise do desastre natural, o professor citou a expansão urbana e urbanização desordenada, o crescimento populacional das últimas décadas, a exclusão social, diminuição de solo e vegetação, aumento do número de pessoas em áreas de risco e a dependência da engenharia clássica.

“Intervenções humanas provocam normalmente alterações das condições geoambientais. Isto pode aumentar ou diminuir a possibilidade de ocorrência de um tipo de desastre e até provocar o surgimento de outro tipo”, registrou.

O especialista também ressaltou que cada cidadão deve ser educado sobre medidas preventivas, para mitigar futuros desastres. Ele enfatizou a necessidade de educação formal e informal, promovida tanto pelo governo estadual quanto pelas prefeituras, para capacitar adequadamente a população.

Além disso, expressou preocupação com a rotatividade de funcionários na proteção civil, comparando-a desfavoravelmente com outras instituições, como o Corpo de Bombeiros, e defendeu a necessidade de estabilidade e carreiras estruturadas nesse setor.

Sua intervenção destacou a urgência de concursos públicos e desenvolvimento de carreiras na Defesa Civil, visando garantir expertise contínua e eficiente no enfrentamento de crises. Ele concluiu enfatizando que somente através de uma educação robusta e preparo adequado das autoridades é possível reduzir significativamente os riscos associados aos desastres naturais no Estado.