Cidades

Rio Grande tem média de 36 órfãos por ano desde 2021

O índice é apontado pelos cartórios de registros. A pior situação foi em 2021, ano da pandemia de Covid-21, quando ocorreu ao menos um terço da orfandade

Em um levantamento inédito, os Cartórios de Registro Civil do Rio Grande do Sul apontam que 36 crianças e adolescentes de até 17 anos ficam órfãos de pelo menos um de seus pais por ano em Rio Grande, no sul do Estado. Os dados, pela primeira vez consolidados a nível estadual, mostram ainda que, em 2021, a Covid-19 foi responsável por ao menos um terço da orfandade no município, correspondendo a 7 crianças que perderam seus pais por conta da doença em um total de 27 órfãos.

O levantamento abrange o período de 2021 a 2024, quando foi possível realizar o cruzamento dos dados dos CPFs dos pais existentes nos registros de óbitos com o de nascimento de seus filhos, possibilitando averiguar com exatidão o número de órfãos no país ano a ano. Até a metade de 2019 não havia a obrigatoriedade de inclusão do CPF dos pais no registro de nascimento, inviabilizando uma correlação exata entre ambos os registros, número que ficou consolidado a partir de 2021.

Para o presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio Grande do Sul (Arpen/RS), Sidnei Hofer Birmann. esses dados inéditos trazem uma reflexão importante sobre o impacto social da orfandade no estado. "Com o levantamento realizado a partir do cruzamento dos dados dos CPFs dos pais existentes nos registros de óbitos com o registro de nascimento de seus filhos, podemos evidenciar a necessidade de atenção e políticas públicas voltadas ao amparo dessas crianças", justifica

Segundo os dados consolidados pela Associação, além dos 27 órfãos contabilizados em 2021, o ano seguinte registrou 39 crianças que perderam ao menos um dos pais, enquanto 2023 registrou 28 órfãos e, até outubro de 2024, o número já totaliza 50, o que supera o recorde neste período. Os dados consolidados do levantamento dos Cartórios de Registro Civil apontam que a Covid-19 deixou, desde 2019, dez crianças órfãos de pelo menos um de seus pais em Rio Grande. O levantamento ainda aponta reflexo no aumento do número de órfãos em razão do falecimento de seus pais em doenças como Infarto, AVC, Sepse e Pneumonia, que estiveram relacionadas com a pandemia nos últimos anos.