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Rio Jacuí começa a baixar e prefeitura de Cachoeira do Sul prevê a liberação do acesso pela BR 153 nos próximos dias

Com nível do rio Jacuí em 26,32 metros, dois dos três principais acessos da cidade estão bloqueados; na sexta, rio chegou aos 26,51 metros, a terceira maior marca da história

Moradores utilizam botes para monitorar casas que foram atingidas pela cheia do rio Jacuí
Moradores utilizam botes para monitorar casas que foram atingidas pela cheia do rio Jacuí Foto : Fabiano do Amaral

Uma das cidades mais afetadas pelas cheias dos últimos dias no Rio Grande do Sul, Cachoeira do Sul vive uma expectativa pela melhora na situação do município a partir do recuo gradual do nível do rio Jacuí. Na sexta-feira, o nível estava em 26,51 metros, a terceira maior marca da história, ficando atrás apenas de 1941 e 2024. No início da tarde deste sábado, o rio havia recuado cerca de 20 centímetros, marcando 26,42 metros.

Apesar disso, a cidade está com dois das seus três principais acessos bloqueados. Na BR 153, a ponte do Fandango está interditada por conta do nível do rio Jacuí. Já na ERS 403, que liga o município a Rio Pardo, está com bloqueios por água na pista. A única forma de entrar e sair de Cachoeira do Sul é pela RSC 287. Entretanto, o prefeito Leandro Balardin prevê a liberação da ponte do Fandango nos próximos dias, em função do recuo no nível do rio Jacuí.

O cenário no local é de devastação, com correnteza forte em direção às regiões Carbonífera e Metropolitana. O que chama a atenção é a quantidade de troncos de árvores sendo carregados pela água e o tamanho da inundação nas áreas de várzea. Além disso, a cidade registra mais de 700 pessoas afetadas pela cheia. Na sexta-feira, a prefeitura decretou situação de emergência. Entre os bairros mais atingidos estão o Cristo Rei, na área urbana, e Ferreira, na zona rural, que está ilhado.

"Cachoeira do Sul vem sofrendo há muitas décadas com algumas enchentes, algumas inundações, mas sempre de pequenos portos. Mas agora, novamente, tivemos de decretar uma situação de emergência diante dessa enchente de poret grande. Pela manhã, tivemos uma boa notícia, um alento para a nossa comunidade, de que o rio está regressando. Ao longo dos últimos dias, trabalhamos muito forte, principalmente na remoção preventiva de famílias. As pessoas estão mais precavidas com relação ao que pode acontecer. Temos cerca de 2 mil pessoas que vivem em regiões que podem ser afetadas. Pretendemos liberar a BR 153, já que o rio começou a baixar. Nossa esperança é que isso se revolta nas próximas horas ou dias. Para liberar, o rio ainda precisar baixar no mínimo um metro", relatou o prefeito.

No bairro Cristo Rei, um dos mais afetados por conta da cheia do arroio Amorim, a moradora do Beco do Amorim, Graziela Teixeira, conta que saiu de casa na quinta-feira. Entretanto, desde então passa os dias em frente ao acesso à rua alagada, para evitar que criminosos invadam sua casa e roubem seus pertences. Ela celebra ainda que, desta vez, deu tempo de organizar suas coisas e elevar seus móveis, evitando perder tudo mais uma vez.

"Quando saímos, a rua ainda estava sem água. Então as equips da Defesa Civil me ajudaram a carregar as coisas. Quando subiu mais um pouco, voltamos de barco para retirar mais alguns pertences. Mas agora temos que ficar aqui na frente cuidando a casa. Ainda ficaram um botijão de gás, fogão, mesa e outras coisas. No ano passado, roubaram nossas coisas, então agora ficamos por aqui. E de noite meu marido vai de barco e dorme no barco para cuidar lá de dentro", relatou.

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Em outro ponto do bairro, na rua São Felipe, a moradora Vera Amaral segue monitorando a situação da cheia. Além de residir poucos metros de onde está a água, ela ainda está abrigando a própria, irmã Eliângela Amaral. "É sempre uma situação preocupante, pois nunca sabemos em que nível a cheia vai chegar. Eu cheguei a arrumar algumas sacolas de roupa e erguer alguns móveis com medo, mas não precisamos sair daqui. Desde ontem de noite a água parou de subir. E desta vez deu tempo de guardar aqui as coisas da minha irmã. Colocamos tudo aqui na área enquanto ela não consegue voltar para casa", completou.