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Rodoviários de Canoas avaliam paralisar trabalho mês que vem

Atrasos de salário ocorrem há quatro meses, segundo sindicato

Rodoviários de Canoas avaliam paralisar trabalhos em maio
Rodoviários de Canoas avaliam paralisar trabalhos em maio Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP
Há mais de quatro meses recebendo salários atrasados, bem como vale-alimentação e férias, os trabalhadores do transporte coletivo de Canoas, da empresa Sogal, podem parar as atividades no próximo mês em protesto ao descumprimento da convenção coletiva. O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Canoas, Eloir Soldi, afirmou que tem se reunido com a direção da empresa para tentar encontrar uma solução viável com relação a sequência de atrasos salariais.

“Eles se comprometeram a regularizar a situação já no mês de maio e alegaram que estão com dificuldades financeiras. No entanto, o descontentamento do trabalhador é geral e, caso não cumpram com o prometido, o risco das atividades serem paralisadas é muito grande. E quem sai prejudicado é o usuário do transporte coletivo que depende do ônibus diariamente”, disse Soldi, salientando que também existe problemas com a falta de depósito do FGTS. “Essa situação do Fundo está judicializada há cerca de dois anos.” Segundo ele, a empresa tem cerca de 800 funcionários.

Um cobrador da empresa, de 40 anos, que não quer ser identificado com medo de represália, afirmou que a situação está insustentável. “O pagamento e o adiantamento é feito com, no mínimo, cinco dias de atraso. Esse mês o vale-alimentação, que deve ser creditado no cartão, foi pago em dinheiro. Esse cenário está interferindo gravemente no nosso dia a dia. Tem colegas que saíram de férias, voltaram a trabalhar e não receberam nada. Temos famílias, despesas com alimentação e escola. É humilhante essa situação. Temos que mendigar por um direito que é nosso”, relatou. Segundo ele, o FGTS não é depositado há quatro anos.

O secretário geral do Sindicato Metropolitano dos Rodoviários, Alessandro Araújo, informou que as empresas de transporte coletivo têm sofrido muito desde o surgimento dos aplicativos de transporte. “Por conta disso, houve queda de passageiros. Em três anos, a região perdeu mil trabalhadores, pois sem dinheiro as empresas precisam realizar demissões.” A empresa Sogal foi procurada mais de uma vez e não se manifestou sobre o assunto.