Há mais de quatro meses recebendo salários atrasados, bem como vale-alimentação e férias, os trabalhadores do transporte coletivo de Canoas, da empresa Sogal, podem parar as atividades no próximo mês em protesto ao descumprimento da convenção coletiva. O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Canoas, Eloir Soldi, afirmou que tem se reunido com a direção da empresa para tentar encontrar uma solução viável com relação a sequência de atrasos salariais.
“Eles se comprometeram a regularizar a situação já no mês de maio e alegaram que estão com dificuldades financeiras. No entanto, o descontentamento do trabalhador é geral e, caso não cumpram com o prometido, o risco das atividades serem paralisadas é muito grande. E quem sai prejudicado é o usuário do transporte coletivo que depende do ônibus diariamente”, disse Soldi, salientando que também existe problemas com a falta de depósito do FGTS. “Essa situação do Fundo está judicializada há cerca de dois anos.” Segundo ele, a empresa tem cerca de 800 funcionários.
Um cobrador da empresa, de 40 anos, que não quer ser identificado com medo de represália, afirmou que a situação está insustentável. “O pagamento e o adiantamento é feito com, no mínimo, cinco dias de atraso. Esse mês o vale-alimentação, que deve ser creditado no cartão, foi pago em dinheiro. Esse cenário está interferindo gravemente no nosso dia a dia. Tem colegas que saíram de férias, voltaram a trabalhar e não receberam nada. Temos famílias, despesas com alimentação e escola. É humilhante essa situação. Temos que mendigar por um direito que é nosso”, relatou. Segundo ele, o FGTS não é depositado há quatro anos.
O secretário geral do Sindicato Metropolitano dos Rodoviários, Alessandro Araújo, informou que as empresas de transporte coletivo têm sofrido muito desde o surgimento dos aplicativos de transporte. “Por conta disso, houve queda de passageiros. Em três anos, a região perdeu mil trabalhadores, pois sem dinheiro as empresas precisam realizar demissões.” A empresa Sogal foi procurada mais de uma vez e não se manifestou sobre o assunto.
Rodoviários de Canoas avaliam paralisar trabalho mês que vem
Atrasos de salário ocorrem há quatro meses, segundo sindicato