Eldorado do Sul, na região Metropolitana, é terra arrasada após chuvas e enchentes. De acordo com o Mapa Único do Plano Rio Grande (MUP), O município teve mais de 70% da área urbana inundada. O grupo de afetados soma 31,9 mil pessoas, que aos poucos tentam sanar os danos causados pela catástrofe.
Na acesso da cidade pela BR 290, técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), realizam uma série de vistorias na rotatória para avaliar a situação do viaduto e iniciar obras de manutenção necessárias. Quem caminha na localidade pode avistar uma cratera inundada na parte inferior da ponte, onde há um carro submerso desde o início do mês. A lodo e a água no entorno impedem a retirada do veículo.
A prefeitura contratou uma empresa terceirizada para retirar o excesso de entulhos acumulados no local com caminhões e retroescavadeiras. Os trabalhadores estimam que a limpeza será concluída em um período de seis e oito meses. Ainda de acordo com eles, cerca de 200 toneladas de resíduos são recolhidas diariamente na cidade.
Uma das áreas mais afetadas é o bairro Itaí. A administração municipal planeja a criação de um corredor humanitário, permitindo que as pessoas possam acessar a localidade e o centro de Eldorado do Sul.
A paisagem no bairro Itaí é similar a um cenário de guerra. Dezenas de casas foram destruídas com a força da água e os destroços ainda estão espalhados nas calçadas. Quase todas as vias têm rombos no asfalto, o que impossibilita o fluxo de veículos.
De acordo com moradores do Itaí, o bairro não possui energia elétrica nem água potável há mais de um mês. A dona de casa Isabel da Rosa Cardoso, de 48 anos, mora com o marido no local. Os dois residem em uma das poucas casas que não foi destruída.
Ela conta que precisa embarcar em um bote para acessar a residência. Além disso, banhos ocorrem com o uso de baldes e a comida é armazenada em caixas de isopor com gelo.
"Os alimentos não duram mais do que dois dias, por isso temos que comer antes que estraguem. Estamos em uma situação realmente precária. Isso sem falar das doenças, como leptospirose”, disse a mulher.