Cidades

São Lourenço do Sul decretou situação de emergência por causa da estiagem

As maiores perdas ocorreram na zona rural da cidade

A agricultura foi um dos setores mais afetados na estiagem em São Lourenço do Sul
A agricultura foi um dos setores mais afetados na estiagem em São Lourenço do Sul Foto : Ivan dos Santos Pereira/ Emater/CP

O município de São Lourenço do Sul se juntou a outras 199 cidades gaúchas que relataram problemas devido à estiagem que ocorre neste verão. Destes 197 decretaram situação de emergência. Conforme laudo apresentado pela Emater, no município do sul gaúcho , culturas agrícolas estabelecidas no período e a criação de animais foram prejudicadas pela falta de chuvas. Do final de dezembro até o início de fevereiro, o déficit hídrico causou um prejuízo de 50% no município, uma vez que a região mais afetada configura 30% da cidade e as chuvas no período naquele local chegaram a 20 milímetros.

A falta de chuvas coincidiu com os períodos críticos das culturas do milho e da soja, tais como a germinação, o florescimento e a granação. Na pecuária, o baixo desenvolvimento das pastagens, a menor produção e a baixa qualidade da silagem, se somaram às temperaturas elevadas, que diminuem o consumo pelos animais, resultando em menor produção de leite e conversão de carne. As perdas estimadas são irreversíveis independente da normalização do regime hídrico. Contudo, podem ser agravadas, caso a falta de chuvas continue, pois no caso das culturas de grãos, o déficit hídrico ocorreu justamente no período da pré-floração ao início do enchimento. Nessa fase, a recuperação da capacidade produtiva da cultura não ocorre de forma satisfatória, mesmo se o regime hídrico for retomado.

As perdas mais significativas ocorrem nas culturas do milho, da soja, do tabaco e na pecuária de leite e corte, que são, juntamente com o arroz, os principais produtos agropecuários para a economia do município. Os prejuízos observados ocorreram principalmente nas localidades próximas às divisas com as cidades de Cristal e Canguçu. Atualmente 50 propriedades são abastecidas por caminhões pipa da prefeitura. No que se refere às culturas específicas, os dados levantados na avaliação realizada no período mostram diferentes níveis de danos nas regiões do município.

O prefeito Zelmute Marten assinou o decreto de emergência. Segundo ele, os prejuízos ultrapassam os R$ 155 milhões na agricultura familiar. “São mais de 70% de perdas na lavoura de milho, mais de 50% na soja e mais de 30% no tabaco”, enumera. A cidade que é castigada pela seca também sofreu com as enchentes de maio do ano passado, quando a água da Lagoa dos Patos invadiu ruas e avenidas e tirou centenas de pessoas de suas casas. O prefeito anunciou que recebeu na cidade representantes da Sociedade de Geologia do Brasil. “Neste momento, eles estão fazendo o diagnóstico técnico, sobre as regiões da área urbana, o maior propensão a futuros alagamentos. Fomos selecionados essa semana num processo do Ministério das Cidades para o treinamento de servidores públicos municipais para a cultura da adaptação e da resiliência”, relatou.

Marten confirmou que possui um projeto elaborado junto às Universidades Federal de Pelotas (UFPel) e Federal de Rio Grande (Furg) de uma sala de situação. “No local teremos a implementação de um sistema digital a partir de instrumentos de monitoramento climático instalados nos arroios São Lourenço e Caraha e na Lagoa dos Patos. A ideia é que nos permita ter uma previsibilidade de até 15 dias antes do comportamento do clima”, justifica.

O município também estrutura junto ao Programa de Aceleração do Crescimento, projetos de infraestrutura. “Estamos estruturando nossa Defesa Civil e preparando São Lourenço do Sul para ser um município vocacionado para o enfrentamento das mudanças climáticas, para a elaboração de um plano de contingência, que será pactuado junto com a nossa comunidade para que nós possamos enfrentar os eventos climáticos extremos”, projeta.