Nesta segunda-feira o prefeito de São Sebastião do Caí, Julio Campani, apresentou o Plano de Reconstrução da cidade, que terá investimentos de R$ 1,7 milhão com recursos do Município. O plano foi dividido em pilares: Comercial/Industrial, Social, ambiental, Agricultura e urbano. No dia 2 de maio o Rio caí chegou à marca de 17,7m, muito acima da cota de inundação, que é de 10,50m. Praticamente toda a cidade foi afetada. Na agricultura estima-se perdas na ordem de R$43 milhões, segundo dados da Emater. Entre as principais medidas está a construção de casas para 93 famílias que tiveram seus imóveis completamente destruídos pela enchente, a revisão e modernização do Plano Diretor, o desassoreamento do arroio Cadeia e auxílio junto aos produtores rurais.
De acordo com o prefeito, o Município foi quinto mais atingido entre as cidades gaúchas. “Temos muitos impactos negativos que a cheia trouxe e que ainda não conseguimos mensurar, mas também temos o impacto social e emocional que toda a população está sofrendo. Quando eu falo em prejuízos sociais, falo daquelas pessoas que perderam a sua casa na integralidade e das famílias que tiveram a casa parcialmente destruída.”
No setor Comercial/ Industrial a Prefeitura está pesquisando e identificando em parceria com as imobiliárias áreas possíveis para que o Município possa adquirir através de compra ou desapropriação e disponibilizar estes locais para as indústrias que queiram fazer uma migração de onde estão hoje para lugares mais seguros, longe da mancha de inundação. Além disso, foi firmada uma parceria com o Sebrae e CDL, para que os comerciantes atingidos possam receber até R$ 15 mil por CNPJ diante da contratação de uma consultoria do Sebrae, que será feita de forma gratuita. Segundo dados da CDL, ao menos 74 lojistas foram afetados pelas águas. Segundo a ACIS, na enchente de novembro, ao menos 200 CNPJ apresentaram algum dano. Hoje, a Prefeitura estima que este número tenha triplicado. “Nós não podemos permitir que as empresas deixem a nossa cidade, por todas as questões econômicas que elas representam.”
Na questão social, Campani explica que a cidade foi contemplada com a doação de 50 casas de uma empresa de São Paulo, cuja construção deve se iniciar na segunda quinzena de julho. “Em 2022 nós adquirimos 20 lotes no Loteamento Boa Vista, onde vamos construir estas casas. Outras 43 casas serão construídas em uma área institucional que, mediante projeto de lei que deverá ser enviado em breve para a Câmara de vereadores, que para desafetar a área, permitindo a construção destas moradias.”
Na questão ambiental o prefeito conta com diferentes frentes de trabalho cujas ações deverão se iniciar a partir da próxima semana. “Através de um convênio com o Estado, de horas-máquinas, faremos a limpeza e desassoreamento do arroio Coitinho. Também será realizado o trabalho de hidrojateamento de bocas de lobo e da rede de drenagem, que estão obstruídas. Será feito o plantio de bambus no entorno do Rio caí e do arroio Cadeia. O bambu é uma planta que dá uma resposta imediata para segurar a erosão da mata ciliar.” Também está prevista uma obra de alteração, um corte, na saída do arroio cadeia para o Rio Caí, A ideia é aumentar a vazão e diminuir a pressão e o represamento da água.”
Na questão do Plano Diretor, o prefeito quer a revisão e a modernização para que a cidade possa ter prédios mais altos. “Precisamos ter um outro olhar, um olhar para o futuro. A parte histórica será preservada, mas precisamos pensar na modernização e na segurança das pessoas.” Para auxiliar os agricultores que, de acordo com Campani, tem um papel importante do Município, a Prefeitura vai encaminhar para a Câmara de Vereadores um projeto de lei onde a Executivo vai subsidiar os juros de operação de crédito junto aos bancos. Na questão urbana, a Prefeitura deve dar início a operação tapa-buraco e o plantio de árvores na cidade