O Rio Caí atingiu, no início da tarde desta terça-feira, 12,2 metros. Houve queda de 68 centímetros em seis horas, mas a água ainda está acima da cota de inundação, que é de 10,5 metros. No auge da inundação, a cheia atingiu 14,6 metros.
O rio, que chegou a invadir ruas e alagou oito quarteirões na área central de São Sebastião do Caí, recuou por mais de cinco quadras. As embarcações voltaram a dar lugar ao tráfego de veículos na maior parte das vias.
A água recuou mas deixou rastro de destruição. Camadas de lama recobrem toda a área em que o Rio Caí havia avançado. Entulhos, móveis e pedaços das casas se somam aos resíduos que foram deixados na enchente de maio, que registou 17,6 metros.
Um campo de futebol entre as ruas Oderich e Coronel Guimarães se assemelha a um pântano. O espaço ainda está alagado, sendo que bancos e goleiras foram arrastados em meio ao que sobrou das árvores.
A aposentada Ângela Regina Trevo, de 62 anos, retornava ao local após passar a noite na casa da filha, em Portão. Ela mora sozinha em São Sebastião do Caí e, apesar de dores nas costas, tentada retirar crostas de lodo que o rio deixou no interior do imóvel.
“É difícil fazer a limpeza por conta própria, mas preciso tentar. Fato é que não consigo dormir mais onde moro. Após duas enchentes em tão pouco tempo, a estrutura da casa está comprometida. Tenho medo da estrutura desabar comigo dentro, por isso vou retornar para a cidade da minha filha”, refletiu a aposentada.
O servidor público Gelson Dias, de 60 anos, mora desde que nasceu em uma casa próxima ao leito do rio. Ele conseguiu mover alguns pertences para o segundo piso, mas o andar térreo foi devastado pela força da água.
“Quem mora aqui está acostumado com inundações, mas não nesse nível. Moro aqui desde sempre e adoro pescar, mas estou deixando de gostar desse hábito após as últimas enchentes”, confessou o homem.
De acordo com a prefeitura de São Sebastião do Caí, ainda há 506 moradores desabrigados. São quase 170 famílias divididas no Ginásio do bairro São Martim, no salão paroquial na Igreja da Conceição, no Centro Comunitário Vila Progresso, no abrigo do Parque Centenário, na
Associação Moradores do bairro Quilombo e na Escola José Bennemann.