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São Sebastião do Caí tem mais um abrigo preparado para eventual elevação da cota de inundação

Rio Caí já chega a 11 metros na cidade

Rio Caí ultrapassa cota de inundação novamente
Rio Caí ultrapassa cota de inundação novamente Foto : Fabiano do Amaral

O Rio Caí chegou a 11 metros em São Sebastião do Caí ao meio-dia deste domingo (29), segundo medição na régua instalada pela Defesa Civil. O nível coloca o rio acima da cota de inundação, de 10,50 metros, e ainda em processo de elevação.

A estimativa é que a cheia alcance o pico no fim da tarde, com até 13,5 metros, mas sem previsão de atingir áreas acima da cota 14, o que traria novos transtornos à cidade.

Durante o sábado, equipes municipais realizaram a retirada preventiva de moradores das áreas mais baixas. No total, 51 famílias, somando 165 pessoas, estão abrigadas no Parque do Imigrante. A maioria delas havia retornado às residências na última quarta-feira após a última cheia e precisou deixar os imóveis pela segunda vez em pouco mais de uma semana.

Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, Germano Bacedoni, parte das famílias seguiu sendo retirada até a manhã de domingo. “Ficaram algumas pessoas para trás no sábado, que ainda não tinham conseguido arrumar os seus pertences. Como apertou a chuva, a gente deu uma parada em torno da meia-noite e retornou hoje pela manhã, às 8 horas, para levar essas pessoas", explicou.

Ainda segundo ele, todos os moradores de residências situadas até a cota 14 foram retirados por precaução. Um terceiro abrigo já foi preparado pela prefeitura e pode receber até 80 famílias, caso haja necessidade. “Até a cota 14 estão todas nos abrigos. Está descartada, por ora, a retirada de famílias acima dessa faixa. Mas mesmo assim, temos estrutura pronta para novos acolhimentos, se for preciso", detalha.

A manhã de domingo na cidade foi de tempo nublado, frio e com vento constante, mas sem chuva. Apesar disso, o temor era persistente, especialmente entre os que já haviam refeito suas casas após as enchentes de maio.

Em uma das ruas que começavam a ser afetadas, a João Alfredo, uma última família ainda realizava a retirada de móveis durante a manhã. O proprietário da casa, visivelmente abalado, preferiu não dar entrevista. "Minha mulher e eu estamos muito nervosos com essa situação de ter que passar por isso novamente", se limitou a dizer.

Já Gabriel dos Santos Nogueira, 21 anos, que mora com o pai na rua São João, relata que a família agiu com antecedência. "A gente tinha voltado quarta-feira para casa. Tivemos que tirar tudo de novo, mas ele está tranquilo. Estamos acostumados. Eu continuo em casa, para cuidar", relata.

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Bacedoni diz que a resposta da população tem sido positiva diante das ações preventivas, o que tem evitado perdas maiores. “Eles estão começando a acreditar nas informações que a gente passa. Estamos conseguindo tirar as pessoas no seco, sem precisar que caminhem dentro da água ou percam móveis”, pontua.

Se não houver mudança no cenário, a Defesa Civil espera que a partir de segunda-feira seja possível iniciar o processo de limpeza das ruas e retorno gradual das famílias para suas residências. A previsão do tempo para os próximos dias é de estabilidade, sem novas chuvas, o que traz alívio para a Defesa Civil. Mesmo assim, o município segue em atenção. O governo do Estado também participa do gabinete de crise montado na cidade.