O sócio-fundador da Cobasi, Ricardo Nassar, disse nesta sexta-feira em Porto Alegre que a fusão da companhia com a Petz não deverá criar um monopólio empresarial no segmento pet. Juntas, ambas vão deter 12% do mercado nacional. A associação de ambas as empresas foi aprovada nesta sexta-feira, com a publicação do fato relevante. Nassar esteve na Capital para conferir a situação da unidade do Shopping Praia de Belas, uma das duas afetadas pelas enchentes de maio.
“O mercado está bastante pulverizado. Está muito distante de haver um domínio”, comentou ele, acrescentando que a intenção é também “se sobressair e lutar por espaço” diante do avanço dos marketplaces. Pelo acordo, a Petz se tornará subsidiária da Cobasi, com os acionistas da Petz recebendo 52,6% das ações da nova empresa e R$ 400 milhões, sendo R$ 130 milhões em dividendos antes do fechamento da operação, que ainda aguarda aprovação das autoridades regulatórias.
Já a Cobasi terá 47,4% de participação no capital social. As duas empresas manterão as respectivas marcas. A companhia esteve no centro de uma crise durante a tragédia climática no RS, relacionada à morte de 42 animais em duas lojas da rede, segundo a Defensoria Pública do Estado. Sobre o assunto, Nassar disse que houve um “linchamento da nossa imagem no Rio Grande do Sul”. “Vamos apoiar todos os nossos colaboradores, e acreditamos neste estado”, disse.
“Trouxeram uma notícia de que privilegiamos máquinas em detrimento de vidas. Isto é de uma mentira e de uma maldade sem fim. Não sei com qual intuito, se alguém está querendo se promover para se lançar candidato a vereador, deputado”, declarou Nassar. Ainda de acordo com ele, mesmo com a situação pela qual passou a empresa, novos investimentos serão feitos, como a recente abertura de uma loja em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.
O empresário afirmou que “nunca se imaginou” que a água subiria na unidade na proporção em que subiu, e deu sua versão sobre como a enchente atingiu a loja. “A CPU é parte de um computador que fica no pé da operadora de caixa de qualquer supermercado. No nosso negócio, não é diferente, ele fica a 10 centímetros do chão. A gerente determinou que tudo o que estivesse a 60 centímetros (de altura), fosse erguido a um metro. Alguém pôs em um carrinho as quatro CPUs. Outros equipamentos continuaram como estavam”, contou.
Nassar acrescentou que a gerente foi submetida a um “absurdo” nas redes sociais. “Falo em nome delas porque elas sofreram bastante, da maneira como foram criticadas nas redes sociais, como foram imputadas a culpa nelas. Chegaram a aparecer viaturas da polícia às 5h na casa para apreender telefone como se fosse bandida. São mulheres, mães de família, como todas as mães estão aí, batalhando para sustentar suas famílias. Isso feriu demais. Foi de uma irresponsabilidade sem tamanho e de uma leviandade imputar a culpa sem o direito de defesa. Julgaram e condenaram sem saber. Lamento a velocidade e o veneno que existe na rede social”, comentou o sócio-fundador.
Ainda conforme ele, a defesa da empresa “está toda publicada” no site corporativo. “Está tudo documentado, e até as trocas de mensagens oficiais com o shopping (Praia de Belas, onde havia uma das unidades afetadas)”, comentou o empresário, alegando que a situação “era dita como controlada” até 5 de maio, ao menos. Na unidade da avenida Brasil, bairro Navegantes, houve inclusive saques, contou Nassar. “No momento da nossa chegada e por testemunha de um delegado que nos acompanhou, ninguém que estava dentro da loja estava preocupado com animais. Resgatamos 339 animais de lá. Eles não estavam em situação de risco”.