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Saiba o que é o “tapete verde” na barragem Lomba do Sabão que pode ser visto até por imagens de satélite

Especialista diz que plantas aquáticas podem indicar contaminação da água, que não é usada no saneamento; Dmae diz não monitorar a área em razão de barragem estar desativada

Situação atual da represa do Parque Saint Hilaire
Situação atual da represa do Parque Saint Hilaire Foto : Pedro Piegas

A presença de plantas tomando conta da barragem Lomba do Sabão, localizada entre Porto Alegre e Viamão, chama a atenção há bastante tempo. Inutilizada para o abastecimento humano e desativada, ela é frequentada por moradores locais para a pesca eventual, segundo habitantes da área, já que parte dela tem acesso livre pelas vielas do bairro Lomba do Pinheiro, enquanto outras margens fazem parte do Parque Municipal Saint’Hilaire, cuja gestão é da Prefeitura de Viamão, e de estruturas do Departamento Muncipal de Água e Esgotos (Dmae) da Capital.

Conhecidas por muitos nomes, como marrequinhas, alfaces d’água, entre outros, as oficialmente chamadas pistias, cujo nome científico é Pistia stratioides, podem ser vistas inclusive em imagens do satélite Copernicus, da Agência Espacial Europeia (ESA), registradas pela plataforma Soar, “tingindo” de verde as águas da barragem construída ainda no ano de 1940 a fim de resolver os problemas com a captação no Guaíba.

Em 2017, um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) considerou que a barragem é de “alto risco com alto dano potencial associado”, com “grande potencial de perdas de vidas humanas na cidade de Porto Alegre, caso haja um rompimento”, mesmo se o Arroio Dilúvio, que inicia nela, estivesse vazio. A área da bacia relacionada à represa é de 1.428 hectares, e o volume médio do reservatório é de 2,9 milhões de metros cúbicos, segundo outro estudo acadêmico, este apresentado em 2005.

“Essa água tem um odor muito forte. Quando chove, ela vai lá para baixo”, apontou a empacotadora Raiane dos Santos Araújo, moradora da área junto ao marido e o filho de sete meses. De acordo com ela, muitos vizinhos já saíram do local após receber benefícios de programas sociais como o Bônus-Moradia, já que a área é considerada de risco. De acordo com o professor Pedro Maria de Abreu Ferreira, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade da PUCRS, esta planta pode ser vista no mundo inteiro, e sua origem é desconhecida, tendo sido descrita pela primeira vez na África, e sendo utilizada bastante em paisagismo.

“A pistia não representa um problema ambiental por si só, mas é um indicador importante deles. Ela adquire um comportamento invasor quando existe uma condição ambiental específica, que é quando há muita matéria orgânica diluída. No caso da barragem da Lomba do Sabão, é um indicativo de baixa qualidade desta água. Provavelmente há algum descarte irregular de esgoto, fazendo também com que ela fique turva”, destacou ele. O fato de haver ocupações humanas na área também pode interferir na proliferação das pistias.

“Há trabalhos, inclusive, que indicam a contaminação por metais pesados quando há a proliferação da pistia. Imagino que o órgão ambiental competente deve ser consultado para saber se há monitoramento da qualidade da água da barragem, que, acredito, deva ser obrigatório, por uma condição de segurança da população do entorno. E isto não é culpa apenas do poder público, que talvez esteja sendo negligente em relação à manutenção, e nem da população do entorno, é uma questão conjunta de gestão. A planta está se comportando de maneira absolutamente natural”, observou ele.

Questionado, o Dmae afirmou que não faz o monitoramento do local em razão de a barragem estar desativada há 12 anos, e que não existe atividade de saneamento no local, apesar de haver uma estrutura sua ao lado. “O Dmae monitora os pontos onde há captação, tratamento e distribuição de água à população, além dos seis locais considerados balneáveis da Orla. A barragem não se enquadra em nenhuma dessas categorias”, disse o órgão, por meio de sua assessoria.