Santa Cruz do Sul criará programa para controlar a leishmaniose

Santa Cruz do Sul criará programa para controlar a leishmaniose

Projeto de lei encaminhado à Câmara de Vereadores busca regulamentar ações para conter a proliferação da doença

Por
Otto Tesche

A leishmaniose é uma doença causada por protozoários transmitidos aos cães e seres humanos pela picada de mosquito-palha


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O município de Santa Cruz do Sul criará um programa de controle da leishmaniose para conter a proliferação da doença. O projeto de lei encaminhado pelo Executivo à Câmara de Vereadores atende à necessidade de prever e regulamentar ações mais eficazes do poder público, profissionais da saúde e proprietários de cães. A leishmaniose é uma enfermidade com alto índice de morte em indivíduos não tratados, sem possibilidade de erradicação do agente transmissor e tendência de expansão para outros municípios do Estado.

Embora não haja uma situação alarmante, o secretário municipal de Saúde, Régis de Oliveira Júnior, afirma que a doença é endêmica no município, ou seja, está circulando na cidade e vem progredindo gradativamente. Desde 2014, Santa Cruz é considerada área de transmissão da doença, de baixo risco, e de lá para cá, 99 casos foram diagnosticados, sendo sete só este ano. “Aqui ainda não há registro da doença em humanos. Para que isso não venha a acontecer em Santa Cruz, precisamos tomar medidas de precaução.”

Os sete casos identificados neste ano ocorreram nos bairros Renascença, Belvedere, Margarida, Ana Nery, Bom Jesus, Progresso e Higienópolis. Após a aprovação da lei, o prefeito Telmo Kirst vai emitir um decreto regulamentando o programa e depois uma nota técnica orientando clínicas veterinárias e veterinários autônomos. O plano de ação do programa vai priorizar famílias de baixa renda, moradoras dessas localidades. Está prevista a contratação de mais um médico-veterinário.


A médica-veterinária Daniela Klafke, coordenadora do programa, explica que o controle da zoonose no meio urbano é complexo e um enorme desafio para os gestores de saúde, visto que o cão pode permanecer sem sintomas, mesmo estando infectado há anos. “Cerca de 60% dos casos são assintomáticos.” A leishmaniose visceral é uma doença crônica causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos aos cães e seres humanos pela picada de flebotomíneos, um deles conhecido popularmente como mosquito-palha.