O assoreamento impõe obstáculos aos moradores da Ilha da Pintada, em Porto Alegre. A seca reduz o nível do Guaíba e afasta os peixes do local. Como se não bastasse, a elevada temperatura dos últimos dias trouxe a proliferação de algas, o que também inviabiliza a atividade pesqueira.
Na manhã deste sábado, havia pouca movimentação na Colônia de Pescadores Ernesto Alves Z5. Ali, as barcas estavam quase encalhadas na margem e a água tinha coloração escurecida.
O pescador Bruno Soares Cruz, 31 anos, conta que, devido ao calor, as algas podres acabam flutuando na superfície e infestam o Guaíba. Ele explica que isso, ao lado da estiagem, dificulta a presença das espécies ali.
"Em alguns pontos, a água, que antes atingia a região do peito, agora não passa da linha da cintura. Isso faz com que os peixes fiquem cada vez em áreas mais fundas e de difícil acesso. Além disso, com a quantidade de algas, as únicas espécies que conseguimos pescar são os bagres”, lamenta o pescador.
As algas, ainda de acordo com Bruno Soares, servem de alimento para tainhas. O problema é que a estiagem também afeta a presença deste tipo de peixe no entorno da Ilha da Pintada.
"Minha esperança era que as tainhas começassem a aparecer, mas a seca impediu a chegada delas. Nos últimos dias, só encontro limo quando saio para pescar”, pontuou o trabalhador.