Cidades

Seca, calor extremo e proliferação de algas prejudicam pescadores na Ilha da Pintada

Com queda no nível do Guaíba, Colônia de Pescadores Z5 enfrenta escassez de espécies

PESCADORES DA ILHA DA PINTADA RECLAMAM DA FALTA DE PEIXE E DA  ESTIAGEM NO RIO  GUAIBA
PESCADORES DA ILHA DA PINTADA RECLAMAM DA FALTA DE PEIXE E DA ESTIAGEM NO RIO GUAIBA Foto : Mauro Schaefer

O assoreamento impõe obstáculos aos moradores da Ilha da Pintada, em Porto Alegre. A seca reduz o nível do Guaíba e afasta os peixes do local. Como se não bastasse, a elevada temperatura dos últimos dias trouxe a proliferação de algas, o que também inviabiliza a atividade pesqueira.

Na manhã deste sábado, havia pouca movimentação na Colônia de Pescadores Ernesto Alves Z5. Ali, as barcas estavam quase encalhadas na margem e a água tinha coloração escurecida.

O pescador Bruno Soares Cruz, 31 anos, conta que, devido ao calor, as algas podres acabam flutuando na superfície e infestam o Guaíba. Ele explica que isso, ao lado da estiagem, dificulta a presença das espécies ali.

"Em alguns pontos, a água, que antes atingia a região do peito, agora não passa da linha da cintura. Isso faz com que os peixes fiquem cada vez em áreas mais fundas e de difícil acesso. Além disso, com a quantidade de algas, as únicas espécies que conseguimos pescar são os bagres”, lamenta o pescador.

As algas, ainda de acordo com Bruno Soares, servem de alimento para tainhas. O problema é que a estiagem também afeta a presença deste tipo de peixe no entorno da Ilha da Pintada.

"Minha esperança era que as tainhas começassem a aparecer, mas a seca impediu a chegada delas. Nos últimos dias, só encontro limo quando saio para pescar”, pontuou o trabalhador.