A estiagem segue castigando os municípios gaúchos neste início de ano. Conforme informações da Defesa Civil Estadual, a falta de chuvas já afeta mais de 799,8 mil pessoas. Dos 497 municípios gaúchos, 83 de diversas regiões registraram seus decretos de situação de emergência no Governo do Estado. Destes 18 decretos foram homologados pelo Estado e sete reconhecidos pelo Governo Federal.
Caçapava do Sul é uma das cidades que entrou para a lista nos últimos dias. Na sexta-feira, o prefeito Marcelo Spode assinou o decreto de emergência, após participar de uma reunião com entidades e associações. O documento deve ser encaminhado nesta segunda-feira para a Defesa Civil do Estado.
Os impactos da estiagem em Caçapava do Sul foi debatido entre os representantes de entidades como Emater, Cooperativa Tritícola Caçapavana (Cotrisul), Fundo Municipal de Apoio Às Estradas Rurais (FundEstradas), Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Defesa Civil. Além do prefeito, os secretários municipais de Gestão Dilvane Loreto e de Agropecuária Marco Vivian Tarchetto também participaram do encontro.
Os representantes das entidades relataram que a estiagem causou o decreto de situação de emergência de vários municípios gaúchos, principalmente na macroregião onde está localizada Caçapava do Sul. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Ademar Luis Wagner, relatou que a entidade vem sendo procurada pelos pequenos produtores relatando as dificuldades que estão enfrentando diante da seca, pois as famílias estão perdendo suas lavouras.
As entidades estimam uma perda de mais de 50% da soja, já nas árvores frutíferas esta perda pode chegar em até 70%, também são estimadas perdas significativas em plantações de milho, feijão e hortaliças. Já os impactos na pecuária refletirão no próximo ano.
Conforme informações da prefeitura, desde 2 de janeiro, entre 30 e 40 localidades, o que equivale a em torno de 100 famílias, estão recebendo água potável de caminhão pipa. As chuvas ocorrem em alguns pontos do interior de forma desproporcional. Alguns lugares registram em torno de 30 milímetros, enquanto em outros não chega a cinco, por exemplo. "Além da soja, os impactos devem ser sentidos também na pecuária, pois há vacas que estão grávidas hoje e como estão ficando fracas, mais na frente vão nascer terneiros fracos", relata o secretário Taschetto.
Mais de 80 açudes foram abertos no primeiro mês do ano. "A ideia é também limpar os que têm, para que o produtor consiga armazenar mais água no futuro quando as chuvas começarem", projeta. Ele avalia a situação da cidade como muito ruim. "Há locais em que falta água até para os animais, o que é muito complicado", concluiu.