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Sem energia elétrica há 48 horas, moradores fazem protesto e bloqueiam rodovia no Litoral Norte

Prefeitos da região avaliam entrar na Justiça contra a CEEE Equatorial pela demora no restabelecimento da energia elétrica

Manifestação foi realizada por moradores do bairro Tiaraju, de Tramandaí, nas margens da ERS 786
Manifestação foi realizada por moradores do bairro Tiaraju, de Tramandaí, nas margens da ERS 786 Foto : Renato Dias / Correio do Imbé / CP

A noite de sábado foi marcada por protestos de moradores e mobilização de agentes políticos pelo restabelecimento de energia elétrica em pontos afetados no Litoral Norte. Segundo a Associação dos Municípios do Litoral Norte (Amlinorte), as prefeituras estão avaliando acionar judicialmente a CEEE Equatorial, pela demora no restabelecimento da energia elétrica.

Sem energia em suas casas há três dias, o fogo ateado em galhos nas margens da ERS 786 foi a única forma de iluminar o protesto feito por moradores do balneário Tiarajú, em Tramandaí. A manifestação foi acompanhada pela Brigada Militar. Um dos moradores contou que a esposa utiliza aparelhos de uso contínuo para a asma.

“Não temos luz e ela passando mal. Ela está tendo que usar só a bombinha manual. Estamos abandonados”, contou. Outro morador lamentou a demora no restabelecimento do da energia na região. “São três dias com a comida estragando na geladeira. Para piorar ainda está frio. É um descaso. Já foram feitos diversos protocolos, mas até agora nada”, completou.

Ação judicial

Por conta dessa demora, os prefeitos do Litoral Norte pretendem buscar, na Justiça, a solução para falta de energia elétrica na região. A Amlinorte informou avaliar as alternativas legais para cobrar da CEEE Equatorial medidas urgentes para a restituição da energia elétrica após o ciclone-bomba da última quinta-feira.

Segundo a associação, a região ainda registra comunidades sem luz e sem água em todos os municípios, mesmo após três dias do evento climático. O volume de reclamações motivou a realização de uma reunião virtual com a CEEE Equatorial no final da tarde de sábado, na expectativa de acelerar os atendimentos nas diversas cidades.

De acordo com o presidente da Amlinorte, prefeito Marcos Venícios Evaldt da Silveira, de Morrinhos do Sul, a entidade deverá atuar fortemente nesta semana junto à concessionária e aos órgãos de fiscalização, buscando solucionar o problema. “Estamos com 60% da cidade de Morrinnhos do Sul impactada pela falta de energia elétrica, com os poços artesianos paralisados e a maioria das comunidades rurais sem água e luz”, destacou.

Conforme um levantamento feito pela Amlinorte, Maquiné registrou cerca de 80% do município impactado pela falta de luz, assim como Caraá com 60% do território sem energia. A situação é a mesma em municípios como Três Cachoeiras, Arroio do Sal, Mostardas, Santo Antônio da Patrulha, Três Forquilhas, Xangri-lá, Palmares do Sul, Terra de Areia, Mampituba, Imbé, Itati e outros.

As principais reclamações dizem respeito a falta de equipes técnicas para atender a demanda, despreparo do pessoal, atrasos decorrentes de burocracia e morosidade excessiva nos atendimentos. Os prefeitos da região se manifestaram na tarde deste sábado e decidiram tomar medidas conjuntas para acionar a empresa concessionária e solicitar apoio do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).

O prefeito de Santo Antônio Patrulha, Rodrigo Massulo, afirmou também que uma das preocupações é com o prazo dado pela concessionária para o restabelecimento da energia, previsto apenas para a próxima terça-feira.

“Estamos cientes de todos os pontos da cidade que estão sem energia e com postes tombados. Não falta cobrança, não falta contato com a concessionária. O que faltam são equipes para restabelecer o quanto antes. Não vamos esperar até terça. Vamos judicializar e seguir cobrando para normalizar a vida da população”, completou Massulo.

Procurada, a CEEE Equatorial informou ter comunicado os prefeitos da Amlinorte sobre a gravidade do evento climático antes da passagem do ciclone extratropical, e que está atuando “de forma proativa em contato direto com os municípios”. Na reunião com representantes de municípios na noite de sábado, a empresa afirma ter apresentado um balanço dos avanços nas ações de restabelecimento.

“As prefeituras seguem trabalhando em conjunto com as equipes da CEEE Equatorial para facilitar o acesso aos locais afetados e contribuir para a retomada do fornecimento a todos os clientes impactados. A CEEE Equatorial reforça o compromisso de manter as equipes em campo até que todos os reparos necessários sejam concluídos e o fornecimento possa ser retomado com segurança para os clientes que ainda aguardam o restabelecimento do serviço”, destacou, em nota.
Protestos contra a concessionária também foram registrados na noite deste sábado em outras cidades atendidas pela empresa, como Alvorada e Pelotas.

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28 mil aguardam restabelecimento

Conforme o boletim mais recente informado pela CEEE Equatorial, cerca de 28 mil clientes ainda aguardavam o restabelecimento de energia elétrica na manhã deste domingo. A concessionária aponta ter normalizado o serviço para 92% dos consumidores afetados. No pico do desabastecimento, foram registrados 375 mil clientes sem energia. Na noite de sábado, quando ocorreram os protestos, eram de 54 mil clientes sem energia.

“A companhia ressalta que foram registrados danos severos à rede elétrica em quase 40 dos 72 municípios atendidos e que parte dos serviços envolve reparos complexos, que demandam mais tempo para a recomposição do sistema. Os trabalhos são realizados com a maior brevidade possível.
Com o Plano de Contingência ativado, cerca de 500 equipes permanecem mobilizadas e atuam ininterruptamente para recuperar a rede elétrica e avançar na normalização do fornecimento”, destaca o boletim.
Na área de concessão da CPFL RGE, na metade Norte do RS e parte das fronteiras com o Uruguai e Argentina, cerca de 5 mil clientes ainda aguardam a normalização no fornecimento. As concessionárias Eletrocar, que atende as cidades de Selbach, Colorado, Carazinho, Santo Antônio do Planalto, Coqueiros, Almirante Tamandaré e Chapada, e Nova Palma Energia, que atende Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Júlio de Castilhos, Nova Palma, Restinga Sêca, São João Polêsine, Silveira Martins e parte de Santa Maria, não registram desabastecimento.